Jornal do Brasil

Quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

Internacional

Assange critica razões de Londres que o mantém preso

Australiano completou dois anos asilado em embaixada equatoriana

Agência ANSA

O fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, completou dois anos asilado na Embaixada do Equador em Londres, criticando as razões de "segurança nacional" que o Reino Unido alega para detê-lo, enquanto o chanceler equatoriano Ricardo Patiño pediu que o respeito aos direitos humanos no caso.    

Em coletiva de imprensa com Patiño, Assange disse acreditar que, até o momento, cerca de US$ 11 milhões foram gastos para monitorar a Embaixada em que se encontra, ato que "viola" as convenções internacionais.    Assange encontra-se na representação diplomática desde 19 de junho de 2012, temendo que a execução por parte da Grã-Bretanha de um mandando de prisão emitido pela Suécia possa concretizar a sua extradição para os Estados Unidos, onde corre o risco de ser condenado por espionagem.    

Em território norte-americano, ele pode ter o mesmo destino que seu informante, o oficial Bradley Manning, condenado a 35 anos de prisão, por isso Assange prefere ficar na sede diplomática.    

"Meus advogados me aconselharam que, neste caso, seria tolice deixar o meu status de asilado e, de certa forma, as circunstâncias aqui são um pouco diferentes de se estar em uma prisão de verdade", apontou Assange.    

Em Quito, Patiño disse que "parece haver um impasse do ponto de vista jurídico". O chanceler ainda culpou o governo britânico pela deterioração da situação de Assange, por impedí-lo de se mudar para o país e "desfrutar" o seu asilo como indicado na Declaração Universal dos Direitos Humanos.    

Dada a condição precária do asilo, o ministro pediu aos Estados envolvidos no caso a agir de acordo com "múltiplos instrumentos vinculativos" e com os "princípios universais" que os inspiraram. Patiño pediu atenção especial da imprensa, que, segundo ele, que fez uso das informações reveladas pelo Wikileaks, para quebrar o "silêncio ensurdecedor" que foi feito em volta do caso.    

"Vocês, jornalistas, testemunham a perseguição política contra um militante pela causa da liberdade de informação e sabem disso", concluiu o equatoriano.

Tags: assange, exílio, Londres, prisão, wikileaks

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