Jornal do Brasil

Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Internacional

Felipe VI é proclamado rei da Espanha e promete ajudar os afetados pela crise

El País destaca que a irmã, Cristina, foi a grande ausente da festa

Jornal do Brasil

Felipe de Borbón foi proclamado nesta quinta-feira Felipe VI, rei da Espanha. Ele substitui o pai,  Juan Carlos, que após 39 anos, abdicou do trono no início do mês. “Juro desempenhar fielmente as minhas funções, guardar e fazer guardar a Constituição e as leis e respeitar os direitos dos cidadãos e das comunidades autônomas”, disse Felipe VI em seu juramento.

Jesus Posada, presidente do Congresso de Deputados, abriu a cerimônia. “As cortes gerais acabam de receber o juramento. Em cumprimento da Constituição fica proclamado rei da Espanha, don Felipe de Borbon e Grecia que governará como rei Felipe VI. Viva o rei, Viva Espanha”, disse Posada, antes da execução do hino nacional. A cerimônia histórica, que marca a proclamação do primeiro rei na democracia da Espanha, ocorreu diante de mais de mil convidados, incluindo a família real, membros do governo, ex-presidentes  e presidentes de governos regionais. O evento foi marcado por aplausos aos novos reis: Felipe VI e a rainha Letizia, sorridentes, e que acenaram com a cabeça.

Em discurso, o novo rei da Espanha, Felipe VI, disse sentir o dever moral de ajudar os mais afetados pela crise econômica e defendeu um acordo político em defesa do “interesse geral”. “Começo o meu reinado com profunda emoção pela honra que representa assumir a coroa, consciente da responsabilidade que representa e com a maior esperança no futuro da Espanha. Uma grande nação na que creio e que admiro e a cujo destino me senti unido toda a vida, como príncipe herdeiro e agora como rei”, disse.

Felipe VI homenageou o pai, Juan Carlos, que disse ter tido um “reinado excepcional, com um legado político extraordinário”.

“Na pessoa do rei Juan Carlos agradecemos a uma geração de cidadãos que abriu caminho à democracia, ao entendimento entre os espanhóis e à sua convivência em liberdade”, disse, recordando que o monarca ajudou, com o povo espanhol, “a construir as bases de um edifício político que conseguiu a reconciliação dos espanhóis.

No discurso de cerca de 30 minutos - em que falou em espanhol, catalão, basco e galego -, Felipe VI disse por duas vezes que representa “uma monarquia renovada para um tempo novo”.

Felipe VI referiu-se à mãe, Sofia, e à sua "dedicação e lealdade ao rei Juan Carlos, a sua dignidade e sentido da responsabilidade", apontando-a como "um exemplo que merece um emocionado tributo de gratidão" que lhe prestou, "como filho e como rei".

Comprometendo-se a cumprir as suas funções constitucionais, Felipe VI disse defender a monarquia parlamentar, considerando que “pode e deve prestar um serviço fundamental a Espanha”.“Saberei honrar o juramento que acabo de pronunciar. Terão em mim um chefe de Estado leal e disposto a ouvir, a advertir e a aconselhar. E a defender sempre os interesses gerais”, garantiu.

“A independência da Coroa, a sua neutralidade e vocação integradora, permitem contribuir para a estabilidade do nosso sistema político, facilitando o equilíbrio com os demais órgãos institucionais e ser canal para a relação entre os espanhóis”, afirmou.

Na Espanha, um novo rei não é coroado. Ele deve prestar juramento e ser proclamado. A Constituição determina que a Coroa é hereditária aos sucessores de Juan Carlos I de Borbón. Ao contrário do que ocorreu no juramento de Juan Carlos - que jurou com a mão sob uma bíblia e ao lado de um crucifixo - não houve qualquer símbolo religioso na cerimônia de proclamação de Felipe VI.

A situação familiar do agora ex-rei Juan Carlos poderia ser considerada péssima há muito anos. A rainha Sofia, por exemplo, morava sozinha em Londres há mais de quatro anos. Já a filha mais nova, Cristina, está distanciada da família por causa da imputação de seu marido no caso Nóos.

Manifestação     

Duas mulheres e um homem foram presos hoje pela polícia durante uma manifestação contra a monarquia. Cerca de 300 pessoas se reuniram em Puerto Del Sol.    

A polícia bloqueou um grupo de integrantes do Movimento 15M que pretendiam invadir a área onde passaria o cortejo do rei.

Cristina, a grande ausente

O jornal espanhol El País destaca nesta quinta-feira a ausência da infanta Cristina de Borbón, irmã mais nova de Felipe. A imputação de Iñaki Urdangarin, marido de Cristina, no “caso Nóos” interrompeu o relacionamento. O casal que até a quarta-feira era chamado de príncipe e princesa das Astúrias cortou a comunicação com o duque e a duquesa da Palma de Mallorca. Segundo o periódico, o novo rei quis, assim, deixar claro seu repúdio ao comportamento do cunhado. Os assessores do palácio apoiaram sua decisão, sabendo sobre o dano que o processo judicial poderia trazer para a imagem da Coroa. A ausência da infanta Cristina ficou ainda mais evidente hoje, no ato de proclamação de Felipe VI.

De acordo com o El País, em 2 de junho, quando Juan Carlos anunciou seu desejo de passar o trono a seu filho, os jornalistas de plantão em frente à casa dos duques de Palma de Mallorca, no centro de Genebra, receberam com surpresa as primeiras declarações que a infanta Cristina fez em muito tempo. Antes de entrar em seu carro, a caminho do trabalho, ela parou diante das câmeras e, com um sorriso aberto, disse que estava “feliz” pelo irmão. Ao ser perguntada se tinha falado com ele, respondeu contundente: “Claro que sim”. Era a primeira vez que se confirmava que os irmãos tinham se comunicado.

Tags: congresso de deputados, coroa, felipe vi, jesus posada, rei da espanha

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