Jornal do Brasil

Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Internacional

Tailândia declara lei marcial e nega golpe

Agência ANSA

O Exército tailandês decretou hoje lei marcial no país, ao centro de novos protestos e desordens após a destituição da primeira-ministra Yingluck Shinawatra. Também foram censurados os meios de comunicação da Tailândia.     

As Forças Armadas justificaram a ação dizendo querer "restaurar a paz e a ordem pública", após a morte de 28 pessoas e uma centena de feridos nos últimos confrontos e negando a tentativa de realizar um novo golpe de Estado no país. Desde 1932, os militares já deram 18 golpes de Estado na Tailândia. O último ocorreu em 2006, quando o então primeiro-ministro, o controverso Thaksin Shinawatra, irmão da ex-premier Yingluck, foi derrubado.     

A primeira-ministra Yingluck foi derrubada há duas semanas acusada de abuso de poder pela Corte Constitucional, naquele que foi considerado por seus apoiadores como "golpe judiciário".     

Desde novembro de 2013 a Tailândia é palco de protestos que pedem a "extirpação do regime Shinawatra". Nas últimas semanas, o Exército tailandês havia ameaçado intervir "com toda a força" se a crise política não fosse superada.     

O primeiro-ministro interino, Niwattumrong Boonsongpaisan, apelou ao exército para que respeite a Constituição. "O Exército deve proceder de acordo com o respeito à monarquia constitucional", divulgou o premier através de sua assessoria de imprensa.     

O ex-primeiro-ministro da Tailândia, Thaksin Shinawatra, que está no exílio desde o golpe de Estado de 2006, pediu que a lei marcial "não destrua a democracia". "Espero que ninguém viole os direitos humanos e destrua a democracia", escreveu o ex-premier em sua conta no Twitter, em uma rara declaração a respeito da crise enfrentada pelo país.     

De acordo com o chefe das Forças Armadas, general Prayuth Chan-ocha, a lei marcial permanecerá em vigor até que seja retomada a ordem.     

O Exército também decretou hoje a censura dos meios de comunicação. "Todos os meios de comunicação estão proibidos de reportar o difundir notícias ou imagens danosas aos interesses nacionais", informou uma declaração difundida em canais de televisão e de rádio. 

Repercussão     

O porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Jen Psaki, exprimiu a inquietude de Washington em relação à crise política na Tailândia, e espera que a lei marcial seja temporária e que não coloque em risco a democracia. "É preciso respeitar os princípios da democracia e garantir a liberdade de expressão", explicou.     

O Japão expressou "grave preocupação" e espera uma solução pacífica nas manifestações tailandesas. "Solicitamos com força que as partes interessadas dêem prova de moderação e que não usem a violência", declarou o porta-voz do governo, Yoshihide Suga.

Tags: crise, golpe, militares, política, tailandeses

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.