Jornal do Brasil

Sábado, 25 de Outubro de 2014

Internacional

Spiegel Online: Ameaça europeia de sanções à Rússia é blefe

Punições só podem ser aprovadas caso todos os membros da União Europeia concordem

Jornal do Brasil

A revista alemã Spiegel publicou uma matéria nesta segunda-feira (12) afirmando que a ameaça europeia de sanções econômicas à Rússia é um blefe. Os autores lembram que todos os membros da União Europeia precisam concordar com as punições. 

Segundo o texto, a chanceler alemã Angela Merkel relatou que em consultas sobre as sanções muitos parceiros estavam preocupados com as próprias economias e outros tentavam evitar por completo o assunto. Os jornalistas garantem que alguns países são a favor de duras punições imediatas, como os do leste da Europa e o Reino Unido. Outros, seriam mais cautelosos, como a Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo, que apostam na diplomacia, e os países do sul da Europa, que têm medo dos custos econômicos que um boicote comercial poderia trazer.

Por sua vez, a França e a Alemanha não querem sanções, mas as apoiarão caso Putin continue a desestabilizar a Ucrânia. A Alemanha, em particular, seria a favor de apostar em sanções financeiras, o que significaria usar o Banco Europeu de Investimento (EIB) e o Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento para pressionar a Rússia. No EIB haveria uma lista de projetos que seriam colocados "na geladeira" caso as punições contra Moscou se expandissem. Países como Reino Unido e Chipre são completamente contra isso, porque seus próprios setores financeiros seriam afetados. Eles discutem, em vez de sanções financeiras, um boicote na energia. Entretanto, neste caso há resistência de países como a Bulgária e a Eslováquia, que dependem quase que inteiramente do gás russo. 

A publicação destaca que sanções econômicas genuínas sairiam claramente caras para os europeus. Segundo um relatório confidencial da Comissão Europeia, a Alemanha teria que lidar com uma perda de 0,9% no crescimento em 2014, e 0,3% em 2015. A situação seria até pior em outros países. Além disso, vários governantes estariam céticos de que as sanções poderiam realmente parar Vladimir Putin. A reportagem lembra que a Rússia tem uma dívida externa pequena e grandes reservas, o que garantiria ao país pelo menos dois anos para encontrar novos compradores e rotas de distribuição de gás.

Tags: crimeia, Europa, geopolítica, putin, russia, Sanções, UCRÂNIA

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