Jornal do Brasil

Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Internacional

Project Syndicate: O perigoso caminho de Putin

Site de opinião publicou coluna para debater as atitudes do presidente russo e suas consequências

Jornal do Brasil

O site Project Syndicate, dedicado à publicação de opiniões, lançou no dia 21 de abril uma coluna de Jeffrey Sachs, professor e Diretor do Instituto da Terra na Universidade de Columbia, na qual ele critica as atitudes de Vladimir Putin, presidente da Rússia.

Sachs garante que Putin tem a intenção de criar uma certa realidade em um terreno, como a Crimeia, sem precisar provocar uma reação ocidental severa. Sem invasões, a Rússia pode se utilizar de ameaças, demonstrações de poderio militar, operações secretas e uma retórica acalorada para desestabilizar seus vizinhos, o que poderia ser suficiente para alcançar os objetivos em relação à política exterior, incluindo a ternura de seus vizinhos.

Entretanto, o autor afirma que as aventuras de Putin podem acabar mal para a Rússia. Apesar do Ocidente estar reticente em traçar confrontos militares com o país, ou mesmo aplicar sanções econômicas, as ações de Putin despertaram uma forte e crescente reação anti-Rússia nos Estados Unidos e na Europa. A resposta do Ocidente, de acordo com o texto, se intensificará dramaticamente se a Rússia posicionar suas forças perto das fronteiras. Caso continue adotando métodos de desestabilização política, a pressão do Ocidente crescerá gradualmente, mas com certeza aumentará. 

A coluna aponta que os investimentos, comércio e relações financeiras pré-existentes já estão sendo atingidos severamente. Novos projetos de investimento e empreendimentos conjuntos foram colocados na espera. Empréstimos de investidores do Ocidente para entidades russas estão sendo cobrados. Os bancos e empresas russos enfrentarão um aperto no crédito. Para o professor, é quase inimaginável que as relações econômicas continuem normais caso a Rússia intervenha, subverta ou anexe outra parte da Ucrânia.

Sachs defende que, caso uma segunda Guerra Fria surja, como está parecendo, o perdedor econômico a longo prazo será a Rússia. A União Europeia sobreviveria sem a importação de gás russo, mas a Rússia sofreria uma enorme perda no rendimento. Putin, por sua vez, estaria apostando que a Rússia pode sofrer qualquer problema nas relações econômicas com o Ocidente, caso fortaleça suas relações com a China. Por outro lado, a China saberia que sua prosperidade econômica a longo prazo depende nas boas relações econômicas com os Estados Unidos e com a Europa. O autor infere que Putin parece não entender isto e nem o fato de que a economia Soviética entrou em colapso como resultado de seu isolamento das economias tecnologicamente avançadas. 

A futura força econômica da Rússia dependeria de sua habilidade de atualizar tecnologia em setores chave, como aviação, trens de alta velocidade, maquinário e indústria pesada. Isso só pode ser alcançado se as companhias russas forem mais integradas dentro das redes de produção global que as prendem com as empresas alemãs, japonesas, norte-americanas e chinesas que contam com tecnologia de ponta e engenharia avançada.

O texto admite que tanto a Rússia quanto o Ocidente desrespeitaram leis internacionais nos últimos anos. O ocidente teria violado a soberania nacional da Sérvia, Afeganistão, Iraque, Líbia e Síria. A Rússia agora estaria agindo da mesma forma, se justificando ao apontar os precedentes ocidentais. A diferença seria que os interesses russos a longo prazo dependem do multilateralismo, da integração com a economia global e do Estado de direito internacional.

Tags: crimeia, guerra fria, ocidente, opinião, putin, russia, UCRÂNIA

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