Jornal do Brasil

Terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Internacional

Agricultores colombianos cobram compromissos do governo

Agência Brasil

Há menos de um mês das eleições presidenciais na Colômbia, cerca de 100 mil camponeses colombianos começaram hoje (28) uma série de protestos em todas as regiões do país. Desde o começo da manhã, agricultores bloqueiam rodovias, sob alegação de que o governo não cumpriu sua parte nos acordos estabelecidos nas negociações com o setor agrícola, em manifestação semelhante, nos meses de agosto e setembro do ano passado.

Há concentrações e bloqueios em rodovias de pelo menos 12 estados colombianos, entre os quais Antioquia, Boyacá, Caldas, Cauca, Cundinamarca, Meta e Santander. O Exército colombiano montou um esquema especial e militarizou alguns pontos em rodovias consideradas cruciais para o deslocamento, como a que liga Boyacá a Cundinamarca, onde está localizada Bogotá. Nos protestos do ano passado mais de 50 rodovias foram bloqueadas; algumas por mais de duas semanas.

O movimento tem a participação de vários setores, principalmente de pequenos agricultores - como os produtores de batata, trigo e leite - e alguns cafeicultores, que reclamam a falta de avanço, por parte do governo, no cumprimento das promessas feitas na negociação anterior.

Mas o presidente da República, Juan Manuel Santos, e ministros do governo contestam as queixas sobre o descumprimento dos acordos e atribuem a nova mobilização “a interesses políticos”, motivados pelo cenário eleitoral – o país terá eleições presidenciais no dia 25 de maio.

O governo também acusa as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército da Libertação Nacional (ELN) de terem se  “infiltrado” no movimento agrário. Nos protestos anteriores, as Farc haviam declarado apoio aos manifestantes e reconhecido a “legitimidade” das reivindicações. Além da proximidade das eleições, a guerrilha também negocia o processo de paz com o governo.

Os agricultores pedem a renegociação de tratados de Livre Comércio entre a Colômbia e outros países, como Estados Unidos e Coreia do Sul, o que, segundo os produtores, teria desestabilizado o comércio interno e provocado a derrubada de preços dos produtos locais.

No acordo celebrado com os agricultores, em setembro de 2013, o governo prometeu criar mecanismos para “proteger” alguns setores, de modo a garantir a compra da produção local. Mas, segundo os manifestantes, isso ainda não foi efetivado. Na negociação anterior, também foi combinado que haveria controle de custos dos insumos agrícolas, e o governo se comprometeu a estudar a viabilidade de  rever prazos para pagamentos de dívidas e abertura de mais linhas de financiamento agrário.

Tags: acordo, agricultor5es, coômbia, eln, Farc, Governo

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