Jornal do Brasil

Terça-feira, 2 de Setembro de 2014

Internacional

Maduro se defende e culpa oposição por protestos

Agência ANSA

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou em um artigo enviado ao jornal The New York Times que "há distorções sobre a realidade do país na cobertura feita pela maior parte dos veículos de imprensa internacionais" durante os protestos. Ele defendeu a operação de seu governo durante os protestos e lançou um apelo para a pacificação, afirmando que "chegou a hora do diálogo e da diplomacia".    

Maduro declarou que "quem protesta tem um só objetivo: a destituição anticonstitucional de um governo eleito democraticamente". Segundo ele, a oposição quer abolir os progressos obtidos com o chavismo, "que deram vantagens a maioria da população". De acordo com o presidente os manifestantes "que expressaram críticas legítimas sobre as questões econômicas e o crescimento da criminalidade são manipulados por um líder que tem um programa violento e antidemocrático".    

Sobre as vítimas da violência dos protestos, Maduro disse que os manifestantes são "diretamente responsáveis por cerca de metade dos mortos" enquanto "um número muito limitado de agentes da força de segurança foram acusados de atos violentos que causaram a morte de várias pessoas", em episódios "isolados" aos quais o governo respondeu com "prisões e processos".    

Depois de acusar, novamente, os Estados Unidos por apoiar e a financiar a desestabilização do seu governo, Maduro declarou que aceitou a "recomendação da Unasul para abrir diálogos com a oposição na presença de um mediador".    

Igreja critica o governo 

A Conferência Episcopal venezuelana denunciou hoje (02) a política do presidente Maduro, afirmando que os protestos antigoverno no país foram causadas pela vontade do governo de Caracas de levar adiante um plano político "que tem como objetivo impor um governo totalitário". O comunicado do braço da Igreja Católica advertiu que "o governo erra se pensa que essa crise pode ser resolvida com a força". A nota segue afirmando que o "Plano da Pátria põe em dúvida o perfil democrático" do país e denuncia que "há restrição à liberdade, em particular de informação e opinião, falta de políticas públicas adequadas para combater à insegurança, bem como a brutal repressão à dissidentes políticos, a tentativa de trazer a paz através de ameaças, a violência verbal e a repressão física" são utilizadas por Maduro.    

Segundo o monsenhor, Diego Padron, "a saída para a crise é clara e passa por um diálogo sincero entre o governo e todos os setores do país, com uma agenda definida, condições de igualdade entre os interlocutores e gestos concretos de ambas as partes".    

Ele ainda acrescentou que seria "oportuna a intervenção da Santa Sé" para mediar o diálogo entre governo e opositores. As manifestações contra e a favor do governo do presidente Nicolas Maduro começaram no dia 12 de fevereiro e, desde então, milhares de venezuelanos saíram às ruas para expressar suas opiniões.

Tags: Atos, Caracas, crise, política, protestos, ruas

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