Jornal do Brasil

Segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

Internacional

Financial Times: popularidade de Cristina Kirchner registra queda desde 2011

Jornal do Brasil

Uma reportagem do Financial Times analisou as recentes declarações Cristina Kirchner à televisão argentina. No discurso, Kirchner confidenciou que, além de ser presidente da Argentina , gosta de pensar em si como "a mãe" da nação. O fato é que, segundo a reportagem, muitos argentinos se revoltaram com o discurso, em que a presidente negou que haveria um grande salto em contas de serviços públicos.

O jornal ironizou o que chamou de “instintos maternais” de Kirchner, afirmando que a popularidade da presidente argentina vem caindo desde 2011. Segundo o Financial Times, a líder esquerdista luta para evitar problemas econômicos iminentes através da implementação de reformas de mercado ortodoxas.

A reportagem relembrou que, na última quinta-feira, o governo argentino anunciou o corte de um quinto dos subsídios sobre o gás natural e a água. Para o veículo, a presidente está contrariando pilares da política do governo. Ainda segundo a matéria, no mesmo dia em que a presidente fez essa declaração, o governo revisou sua estimativa de crescimento, que foi de 4,9% para 3%. No texto, o Financial Times afirma que, em linha com as estimativas do setor privado, a revisão aconteceu a tempo para o prazo definido pelo Fundo Monetário Internacional.

A matéria traz também a declaração de José Octavio Bordón, embaixador da Argentina nos Estados Unidos. Para ele, durante o governo de Kirchner, não houve mudança ideológica, mas sim uma resposta objetiva para os problemas financeiros do governo. Segundo o Financial Times, Bordón concorda que subsídios foram necessários para estimular o consumo, quando a economia argentina entrou em colapso. O jornal apontou que o alto preço dos commodities impulsionou o crescimento médio anual de 7,2%, no entanto, os subsídios estão sendo removidos. Ainda de acordo com a entrevista que Bordón concedeu ao veículo americano, o objetivo da presidente foi deixar o governo com a melhor imagem possível, quando seu mandato terminar, no final de 2015. De acordo com o embaixador da Argentina nos Estados Unidos, Kirchner não deve deixar a política.

O analista político Carlos Germano comentou a situação da Argentina. Em entrevista ao Financial Times, ele disse acreditar que não existe uma estratégia política clara. Para ele, o governo quer corrigir os problemas que possam surgir, sem pensar sobre as consequências a longo prazo. Ainda segundo a declaração do analista, a popularidade da presidente vai levar uma “surra”, o que está enfraquecendo sua liderança. Contudo, o jornal afirma que o sucesso de Kirchner na resolução dos problemas que atacam seu governo irá determinar seu futuro político.

Tags: Argentina, bordón, kirchner, política, popularidade, presidente

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.