Jornal do Brasil

Terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Internacional

Estudos revelam esforços do MSF diante do genocídio de Ruanda

Jornal do Brasil

Vinte anos após o genocídio de Ruanda, a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) publica, pela primeira vez, seus “Speaking Out Cases Studies” (Estudos de Caso sobre Posicionamento Público, em tradução livre para o português) – por meio do site speakingout.msf.org. O primeiro caso, O Genocídio de tutsis ruandeses em 1994, descreve a reação de MSF quando confrontada com o extermínio sistemático dos tutsis entre abril e julho de 1994. Estima-se que 800 mil pessoas perderam suas vidas no decorrer de 100 dias. 

A reação lenta do Conselho de Segurança das Nações Unidas para categorizar o massacre como “genocídio” resultou em um atraso de dez dias na intervenção. Enquanto isso, centenas de milhares de ruandeses perdiam suas vidas.   

“O estudo de caso revela publicamente quais foram as limitações, os dilemas e os questionamentos enfrentados pelas equipes em campo e na sede de MSF durante um dos momentos mais agonizantes da história do trabalho médico-humanitário da organização”, afirma a Dra. Joanne Liu, presidente internacional de MSF. Segundo ela, o material “descreve as tentativas de responder à crise com uma reação pública”.

Em diversas ocasiões, o MSF manifestou-se incisivamente na tentativa de obrigar os Estados a colocar um fim no extermínio da população tutsi, ao invés de se utilizarem da ajuda humanitária como álibi para permanecerem na inércia. No dia 17 de junho de 1994, MSF pediu uma intervenção armada, afirmando: “não é possível por um fim ao genocídio com médicos”.    

Os estudos de caso partiram de relatórios internos realizados por equipes em campo, artigos publicados na imprensa e transcrições de testemunhos de profissionais de MSF. Filmagens adicionais feitas por MSF e pela mídia também estão disponíveis. O material esclarece a dinâmica, os dilemas e os desentendimentos por trás da resposta humanitária de MSF à crise em Ruanda. Algumas das questões mais profundas enfrentadas pela organização naquele momento eram: foi aceitável para MSF, como organização humanitária, permanecer em silêncio diante do genocídio? Foi aceitável pedir uma intervenção armada – uma ação que poderia levar tanto a perda quanto à salvação de vidas humanas?   

Três outros estudos, que, em breve, serão divulgados, referem-se ao período de 1994 a 1997, quando as consequências humanitárias do genocídio afetaram refugiados e a população local. Esses estudos documentam o desastre que ocorreu em campos no Zaire e na Tanzânia, quando mais de 1 milhão de pessoas estavam sob o rígido controle de “líderes dos refugiados”, que também foram responsáveis pelo genocídio, pelos abusos cometidos pelo novo regime de Ruanda durante e, após o genocídio, pela caça e assassinato de refugiados ruandeses no Zaire por forças rebeldes apoiadas pelo exército de Ruanda.   

“Ao mesmo tempo em que os estudos do caso de Ruanda investigam a própria dinâmica de MSF e os desafios operacionais em resposta ao genocídio, eles também resgatam toda a perda humana, e, para MSF como organização, a perda brutal de diversas centenas de colegas ruandeses”, diz a Dra. Joanne

Tags: massacre, médicos, ONG, POPULAÇÃO, ruanda

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