Jornal do Brasil

Quarta-feira, 30 de Julho de 2014

Internacional

'Obama é fonte de inspiração', diz premier italiano

Agência ANSA

O primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, afirmou nesta quinta-feira (27) que a equipe do norte-americano Barack Obama "é uma fonte de inspiração" para seu novo gabinete.

"É um grande prazer receber Obama na Villa Madama. Todos os jornalistas italianos sabem que Obama não é só o presidente dos Estados Unidos. Para mim e para minha equipe, ele é uma fonte de inspiração", disse Renzi, em uma coletiva de imprensa ao lado do mandatário norte-americano, em Roma.

"A visita de Obama à Itália não é só um gesto simbólico, mas um encorajamento", completou. "A mensagem de campanha 'Yes, we can' vale atualmente para todos nós da Itália", destacou Renzi.

O premier italiano também agradeceu aos EUA por "salvarem a democracia na Europa". "Os nossos avós combateram pela Europa, e os Estados Unidos combateram para salvar a democracia na Europa. Minha mãe chorava diante das imagens da queda do muro de Berlim. Precisamos de um caminho de unificação, no qual a Europa seja um local de cooperação, mas também de crescimento e emprego", disse.

Assumindo novamente um tom de liderança europeia, Renzi destacou que a Itália tentará debater o tema do crescimento e do pleno emprego durante sua presidência temporária na União Europeia (UE), que começa no segundo semestre desse ano.

"Queremos mudar a Itália, e Obama sabe disso. Se conseguirmos, daremos uma ajuda para mudar também a UE e contribuir para ter sempre melhores relações com os EUA", afirmou Renzi.

O presidente dos Estados Unidos, por sua vez, demonstrou confiar nas reformas econômicas propostas por Renzi para mudar a Itália e a Europa. "Ele saberá levar o país adiante", disse Obama, ressaltando que o crescimento europeu ainda é fraco, ao mesmo tempo em que são altos os índices de desemprego.

Renzi assumiu o cargo de primeiro-ministro em fevereiro deste ano, após anunciar que sua legenda, o Partido Democrático (PD), retiraria o apoio do então premier Enrico Letta.

Papa Francisco

Sobre sua visita ao papa Francisco, também ocorrida hoje, antes da reunião com Renzi, Obama disse que se sentiu "profundamente comovido" pelas palavras do Pontífice sobre pobreza e marginalização.

"Conversamos muito tempo sobre os desafios e os conflitos atuais, e de como é difícil manter a paz no mundo. Concentramo-nos nas questões do Oriente Médio, pelas quais o Papa demonstrou grande interesse. Mas também falamos da Síria, do Líbano e da perseguição contra os cristãos", disse Obama.

O mandatário elogiou a preocupação do Papa com os marginalizados e afirmou que "todos os políticos têm o dever de adotar ações para enfrentar o problema da pobreza". "O Papa tem a capacidade de abrir os olhos do povo", pontuou.

O norte-americano também comentou que a população dos EUA "enlouqueceria para ver o papa Francisco" visitando o país. Durante a reunião no Vaticano, Obama chegou a convidar o Pontífice para ir a Washington, e Francisco respondeu de maneira afirmativa.

Rússia

Durante a coletiva de imprensa, Renzi e Obama demonstraram alinhamento em relação aos recentes acontecimentos na Ucrânia e na Rússia. Segundo Renzi, Roma e Washington concordam que Moscou violou o direito internacional ao anexar a Crimeia ao território russo.

"Mas vamos continuar esperando que a Rússia adote a opção diplomática e colabore com todos nós para resolver a questão ucraniana de maneira pacífica", afirmou Obama.

Retomando um apelo que já vinha fazendo nos últimos dias, o presidente dos EUA também afirmou que certos tipos de cortes em despesas militares são impossíveis de fazer, pois podem afetar a continuidade das atividades da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

A visita de Obama à Itália faz parte de um giro internacional. O presidente já esteve em Haia e em Bruxelas. Nesta quinta-feira, ele se reuniu com o papa Francisco, com o presidente Giorgio Napolitano e com o premier Matteo Renzi.

Tags: EUA, itália, papa, presidente, viagem

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