Jornal do Brasil

Terça-feira, 29 de Julho de 2014

Internacional

Ucrânia diz que risco de guerra é cada vez mais alto

Movimentação de tropas russas acendeu alarme em Kiev

Agência ANSA

Após a Rússia tomar as últimas bases da Ucrânia na Crimeia, completando a anexação da península, cresce o temor de uma guerra entre os dois países. O ministro ucraniano das Relações Exteriores, Andrii Deschchytsia, afirmou em uma entrevista à rede norte-americana ABC que a possibilidade de um conflito é cada vez mais alta.    

"Estamos muito preocupados com os deslocamentos das tropas de Moscou. Estamos preparados para responder. Como vocês sabem, o governo da Ucrânia está procurando usar todos os meios de paz e diplomáticos para parar a Rússia, mas as pessoas estão prontas para defender as suas terras", afirmou o chanceler. 

Segundo ele, o grande problema dessa crise é que o presidente russo, Vladimir Putin, não conversa com o resto do mundo e nem quer escutar as outras nações.    

Mais cedo, o secretário do Conselho de Segurança Nacional da Ucrânia, Andrii Paroublii, havia dito em um discurso para manifestantes reunidos no centro de Kiev que Moscou está preparada para atacar o leste de seu país "a qualquer momento". "O objetivo de Putin não é a Crimeia, mas toda a Ucrânia", declarou.    

No entanto, o governo da Rússia negou estar acumulando forças militares na fronteira e assegurou que respeita os acordos internacionais que limitam o número de soldados nas regiões que dividem as duas nações. "As Forças Armadas russas não conduzem qualquer atividade militar não declarada que poderia prejudicar a segurança dos Estados vizinhos", garantiu o vice-ministro da Defesa, Anatoli Antonov, citado pela agência Interfax.    

Mas a explicação não convenceu a todos. Tanto os Estados Unidos quanto a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) já acenderam o alarme para uma possível invasão na Ucrânia. De acordo com o vice-conselheiro para segurança nacional da Casa Branca, Tony Blinken, é provável que o acúmulo de tropas na divisa ucraniana seja uma ação de intimidação, mas o país não descarta que Putin esteja se preparando para entrar no Estado vizinho.    

Já para a aliança militar ocidental, a Rússia juntou uma força grande o bastante para ameaçar não apenas a Ucrânia, como também a Moldávia, onde a população da região da Transdnístria, no leste do país, sonha com uma anexação pelos russos. "As tropas na fronteira ucraniana são suficientes para entrar na Transdnístria, e isso é algo preocupante. A Rússia está agindo mais como adversária do que como parceira", disse o general Philip Breedlove, chefe da Otan na Europa. 

Tags: capital, crise, mortes, política, UCRÂNIA

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