Jornal do Brasil

Terça-feira, 23 de Setembro de 2014

Internacional

Soldados russos atacam base militar na Ucrânia

Agência ANSA

Soldados russos atacaram uma base militar da Ucrânia no oeste da Crimeia, informou o porta-voz do ministério da Defesa ucraniano, Vladislav Seleznev. Os russos atacaram a base da Marinha em Novoozerne com um trator, mas pararam a invasão ao encontrar um grupo armado da Marinha no interior do local. Durante a manhã, algumas centenas de manifestantes pró-Rússia invadiram outra base da marinha, dessa vez em Sebastopol, e hastearam a bandeira russa no local. Após horas de negociação com os militares ucranianos, eles deixaram o local pacificamente.

Já em Moscou, capital da Rússia, a Corte Constitucional avaliou a anexação da Crimeia ao território russo e o presidente da Corte, Valeri Zorkin, concluiu que o documento enviado ontem (18) por Vladimir Putin "está de acordo com a constituição da Rússia". Com isso, segundo informa a agência Interfax, Moscou deu sinal verde para um exercício militar em oito regiões da Rússia, incluindo uma área próxima a Crimeia. Serão cinco mil atiradores de elite participando do treinamento que deverá durar de 45 dias a dois meses.

Política

Uma nota do ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que o presidente do conselho da União Europeia, Herman van Rompuy, não foi autorizado pela entidade a ir até Moscou. "Ele pediu há alguns dias para fazer uma visita urgente. Todavia, não deixaram ele prosseguir. E, notem, que foram os seus que não o deixaram vir", informou a nota. O informe ainda ironizou a situação, afirmando que "porque Von Rompuy deve saber a verdade se já está tudo decidido? O objetivo da visita era saber a posição da parte russa sobre a crise. A crise ucraniana já tem seus heróis: os militantes de direita e de seu governo ilegítimo que tem uma série de fascistas declarados. A Rússia e o povo da Crimeia refutaram a aceitar a lógica do golpe neo-nazista".

O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, declarou que o referendo na região foi "ilegítimo" e que "é preciso uma ação concreta de todas as instituições, de modo particular, dos países europeus do G8". Renzi ainda sugeriu que "é preciso utilizar sanções graduais e reversíveis" contra a Rússia e que de maneira nenhuma pode ser aceita novamente uma "cortina de ferro".

Já o presidente norte-americano, Barack Obama, e a chanceler alemã, Angela Merkel, conversaram por telefone e concordaram que "devem continuar a negociar com Putin para resolver a crise diplomaticamente". Eles ainda debateram sobre como ajudar a Ucrânia a estabilizar a economia e a preparar as eleições de maio.

E a Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), através de seu presidente, Didier Bukhalter, declarou que a anexação da Crimeia "é contra o direito internacional", mas que os acontecimentos de ontem "não devem significar o fim da diplomacia para superar a crise".

Sanções

A Austrália e o Japão anunciaram sanções aos russos nesta quarta-feira (19). O governo australiano proibiu a entrada de russos e ucranianos que estejam envolvidos nos protestos e nas ações separatistas na Austrália. E o governo japonês estuda novas sanções aos russos e criticaram "a violação de unidade, soberania e integridade territorial da Ucrânia". A situação na Crimeia ficou ainda mais tensa ontem, quando o governo russo aceitou o referendo e assinou o acordo para anexar o território à Rússia, contra os protestos de vários países ocidentais.(ANSA)

Tags: CONFLITO, crise, política, protesto, UCRÂNIA

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