Jornal do Brasil

Terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Internacional

Governo da Venezuela mantém reduto opositor militarizado

Agência Brasil

O governo venezuelano informou hoje (17) que mais de 1.000 oficiais da Guarda Nacional Bolivariana (GN) ocupam as ruas do município de Chacao, estado de Miranda, a leste de Caracas. O policiamento se concentra na Praça de Altamira, um importante centro de concentração de opositores e de manifestantes.

“O objetivo é evitar que grupos violentos voltem a tomar a zona. Esta praça servirá de novo para caminhar, passear e que as pessoas possam vir sem medo", disse o general Manuel Quevedo, chefe do Comando Regional de Operações da GN.

Segundo ele, os guardas farão uma operação de vigilância 24 horas por dia na região. “Até agora, os resultados são positivos”, afirmou Quevedo, em entrevista à imprensa local e estatal.

De acordo com o general, a militarização do espaço garante o “retorno à normalidade”, sobretudo para comerciantes, que mantiveram seus estabelecimentos fechados por vários dias. Com 34 dias de protestos diários em algumas regiões do país, há registros de pelo menos 29 mortes e mais de 265 feridos.

A operação foi iniciada no último fim de semana, e na madrugada de hoje o ministro do Interior, Justiça e Paz, Miguel Rodríguez Torres, anunciou que a região estava “liberada e pacificada”.

Além da ocupação da praça e avenidas adjacentes, usuários de redes sociais relatam intensa fiscalização nas estações do metrô e nas proximidades, com revistas de bolsos e solicitação de identificação.

No sábado, o presidente Nicolás Maduro advertiu aos manifestantes que ocupavam a praça para que se retirassem do local. Durante o fim de semana, a imprensa local e usuários das redes sociais reclamavam do uso “excessivo de gás lacrimogêneo”, por parte da guarda nacional.

Uma jornalista brasileira, que vive na região, contou à Agência Brasil que passava no local para retornar à sua residência, quando sentiu o cheiro de gás. “Passei mal”, relatou.

O governo venezuelano também anunciou hoje haver encontrado armamento e munições, no estado de Aragua, centro-norte do país, nas proximidades do local em que foi assassinado o guarda José Aranque, por um disparo próximo a uma barreira (guarimba) construída por manifestantes.

De acordo com a TV Multiestatal Telesur, o material apreendido pertence a Cheng Nga Kwan, 39 anos, cidadão de origem asiática, com nacionalidade venezuelana. Segundo a imprensa estatal, ele está detido e supostamente faz parte de uma rede internacional de práticas paramilitares.

Tags: Atos, Caracas, crise, política, protestos, ruas

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