Jornal do Brasil

Terça-feira, 2 de Setembro de 2014

Internacional

Economistas defendem incentivo à indústria venezuelana

Agência Brasil

Com a inflação acumulada de 56,2%, fuga de capitais, especulação financeira e escassez de produtos, a Venezuela vive um momento difícil do ponto de vista econômico e político. Para analistas ouvidos pela Agência Brasil, o governo deve ampliar a oferta de capital - dólares no mercado - e incentivar a produção nacional.

A maior “atenção” ao setor empresarial, tanto estatal quanto privado, é defendido por economistas de diferentes vertentes. “A Venezuela, independentemente do modelo econômico adotado pelo atual governo, deve fortalecer a indústria nacional e diminuir o peso das importações para suprir o mercado interno”, disse o economista venezuelano César Aristimuño.

Os números mostram que a economia cresceu em menor ritmo no país. A Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), mostra que o Produto Interno Bruto (PIB) da Venezuela do ano passado foi 1,2%, com previsão de redução à 1,% em 2014.

Mas se a economia mostra uma tendência de queda, alguns níveis sociais apontam êxito. A pobreza diminuiu e, segundo a Cepal, o país é hoje o menos desigual do continente. Analistas defensores da política chavista e o próprio governo admitem que a melhor qualidade de vida da população, aumento de renda e maior capacidade de compra também desequilibraram a produção interna.

“Uma ampla camada da população que vivia na pobreza passou a viver um estado de bem-estar e o aparato produtivo do Estado ainda não estava pronto”, disse à Agência Brasil Carlos Martínez, economista colombiano, que acompanha a economia na Venezuela.

Outros, mais liberais, embora admitam que o crescimento da população da chamada classe C influenciem no desequilíbrio entre a demanda e a oferta, culpam o Estado pela “inércia econômica”, segundo eles, pelas medidas adotadas nas gestões de Hugo Chávez e, agora, na de Nicolás Maduro. A equipe econômica do governo promete flexibilizar a compra e a venda de dólares e permitir transações entre pessoas físicas e jurídicas, estatais e privadas.

Até o mercado legal de dólares é controlado pelo governo e faltam dólares no mercado. “Nunca conseguimos comprar dólares legais”, conta o comerciante Julian Herrera, de Táchira. Dono de uma loja de artigos de informática, ele diz que o pouco estoque que tem é comprado com dólar negociado no mercado ilegal.

“Os fornecedores recebem em dólar e compramos a moeda por 60 bolívares, em média, quase dez vezes mais do que o valor oficial. Por isso, os preços estão caros e não conseguimos o lucro necessário para repor mercadorias”, explicou o comerciante. Ele espera que o novo sistema seja mais eficaz que as tentativas usadas até agora. “Se conseguíssemos comprar dólar no mercado oficial, já teríamos uma melhora”, disse.

O governo venezuelano fala que as mudanças econômicas que fará este ano deverão melhorar o panorama. A equipe econômica sustenta que a “ganância” do setor empresarial está diretamente ligada à retração na produção e escassez de produtos. Por isso a Lei de Preços Justos foi implantada em fevereiro.

“A margem de lucro de 30% é suficiente. Pesquisamos isso. O problema que vemos é que existe uma resistência do empresariado para aceitar o novo modelo”, argumenta o ministro do Interior e Paz, Miguel Rodríguez, que tem viajado e participado de reuniões com setores descontentes com o governo.

O economista César Aristimuño contra-argumenta. Ele destacou que enquanto o setor privado não tiver condições de garantir liquidez e fluxo de caixa, o panorama não mudará. “A conta é simples, se uma pessoa compra US$ 1 no mercado ilegal a 60 bolívares, como vai ter margem de lucro de 30%? A conta fica negativa”.

Após este mês de protestos, o governo promoverá várias reuniões com empresários para ouvir as demandas. A onda de manifestações, iniciada primeiramente por estudantes que pediam mais segurança, acabou englobando, também, demandas econômicas.

“O maior pedido dos empresários é por maior acesso à moeda para obter insumos. Isso queremos fazer. Só não abriremos mão do modelo socialista bolivariano que estamos construindo”, acrescentou o ministro Miguel Rodríguez. 

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