Jornal do Brasil

Quarta-feira, 30 de Julho de 2014

Internacional

Em novo mandato, Bachelet tem maior poder e respeito

Isabel Allende, filha do ex-presidente Salvador Allende, será presidente do Senado

Agência ANSA

A médica pediatra socialista Michelle Bachelet, 63 anos, assume hoje pela segunda vez a presidência do Chile. Ela ganhou o pleito com uma grande diferença de votos: 63% dos chilenos votaram nela para a presidência. Apoiada por uma coalizão de centro-esquerda mais ampla, ela terá pela primeira vez em seu gabinete o Partido Comunista, que volta depois de 40 anos ao governo - e ocupará as pastas do Serviço Nacional da Mulher e a subsecretaria do Trabalho.    

Os analistas consideram que Bachelet está "muito mais poderosa" com uma vasta experiência "não somente no governo, mas com o conhecimento da política internacional que conquistou com a presidência da ONU Mulheres", destacou para o analista político Guillermo Holzmann. 

De acordo com ele, Bachelet tem "uma visão pragmática do socialismo" e está consciente que a desigualdade no Chile não pode dar espaço a "experiências revolucionárias", mas sim o combate à desigualdade deve ser feito com políticas públicas. Holzmann afirma que "ela está com uma visão de cidadania que vai mais além do que a interpretação socialista". 

Há quatro anos, Bachelet era considerada uma presidente com pouca experiência política, já que nunca havia passado pelo Parlamento. Desta vez, ela impôs sua marca pessoal com um gabinete repleto de pessoas com menos de 50 anos e com muitos currículos técnicos para governar durante os próximos quatro anos. Bachelet estreou no cenário político em 2000, quando o então presidente, Ricardo Lagos, a nomeou como ministra da Saúde e deu como missão extinguem com as listas de espera em hospitais em 100 dias. Mesmo sem conseguir atingir essa meta, seu estilo caridoso e acolhedor, começou a repercutir na sociedade chilena.    

Em janeiro de 2002, foi designada ministra da Defesa, a primeira mulher latino-americana a assumir o cargo, onde novamente se destacou por subir em um tanque e ajudar as pessoas durante as inundações em Santiago. Com isso, ela se catapultou como figura mais popular do governo, de acordo com todas as pesquisas da época. Assim, em maio de 2005, ela se candidatou a candidata à presidência para encabeçar um quarto governo da coalizão de centro-esquerda, a Coalizão de Partidos pela Democracia. Ganhou a eleição em segundo turno, com 53,5% dos votos contra seu concorrente Sebastián Piñera. 

Ela não é só a primeira mulher a chegar ao mais alto cargo político do país, mas o mais significativo, é que ela é filha do general Alberto Bachelet, que morreu após ser torturado pela ditadura chilena. O general Bachelet, que se negou a aderir ao Golpe de Estado, foi torturado e morto em março de 1974. Michelle Bachelet e sua mãe, Angela, lutavam contra a repressão do governo e em 1975 foram detidas por agentes da Diretoria de Inteligência Nacional (DINA). Elas foram levadas até o centro clandestino de torturas de Vila Grimaldi e, graças à pressão eclesiástica , foram libertadas. Porém, foram obrigadas a exilar-se na Alemanha, onde Bachelet terminou seus estudos em medicina. 

De volta ao país nos anos 1980, a médica entrou em organizações de apoio às vítimas da ditadura. Com sua volta à presidência, a história volta a ter destaque, principalmente quando a presidente do Senado é Isabel Allende - filha do ex-presidente chileno Salvador Allende. A próprio Bachelet já expressou que "nossos pais estariam orgulhosos "pelos cargos ocupadas pelas duas filhas'.    

O analista Holzmann declarou à ANSA que, com esta imagem republicana, a esquerda chilena se recupera simbolicamente do parênteses política que significou a ditadura: Bachelet receberá a faixa presidencial das mãos da filha do presidente cujo governo foi interrompido pelos militares. 

Tags: Bachelet, Chilenos, Eleições, michelle, posse

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