Jornal do Brasil

Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Internacional

O interesse da Rússia na Península da Criméia

A região abriga uma frota russa com 25 navios

Jornal do Brasil

A península da Criméia já foi uma verdadeira armadilha para vários exércitos europeus no século XIX que estiveram envolvidos em conflitos com a Rússia relacionados aos direitos dos cristãos na Terra Santa, como o Império Otomano, Reino Unido, França e Sardenha. A Criméia começou a ser usada pelos russos na época para pôr em prática uma política expansionista rumo a Constantinopla. A guerra iniciada em 1853, que durou três anos, resultou em 750 mil mortes e numa derrota da Rússia, que mesmo assim não perdeu o controle da região.

A Criméia foi integrada ao Império Russo em 1783 por Catarina, a Grande, permitindo aos russos o acesso ao Mar Negro e tendo a cidade de Sebastopol como base da frota russa na região. Recentemente, o acordo para sediar a frota, composta por 25 navios e 13 mil homens, foi prorrogado para 2042 e assinado pelo presidente deposto da Ucrânia, Viktor Ianukovich, em troca de descontos no preço do gás natural.

A frota naval da Criméia tem importância estratégica para os russos que usam seu poderio para manter o controle sobre a região. Em agosto de 2008, na última vez em que foram mobilizados, navios e tropas estavam a postos na guerra da Geórgia. O presidente Iuchenko, no entanto, exigiu que Moscou não usasse a armada durante o conflito.

A Criméia também tem um significado importante para os russos em relação à história do país e suas conquistas. Sebastopol é conhecida como “a cidade da glória russa”. Foi lá que Stalin recebeu o primeiro ministro inglês, Winston Churchill, e presidente americano Franklin Roosevelt no final da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Os russos também derrotaram os alemães numa sangrenta batalha entre 1941 e 1942 e que ficou na recordação de todos. Durante a época soviética, a Criméia era um dos destinos turísticos mais populares por trás da Cortina de Ferro.

Em 19 de Fevereiro de 1954, Nikita Krushov, depois de várias doses de vodka, resolveu transferir a Criméia para a República Socialista da Ucrânia, no que foi descrito na época como “um gesto simbólico” que assinalava o 300º aniversário do momento em que a Ucrânia tinha se tornado parte do Império Russo. Após a queda da União Soviética, no entanto, a população da Criméia começou a se questionar sobre a relação com a Rússia, apesar da maioria da população de mais de dois milhões de habitantes falar russo e se sentirem russos.  A Criméia é uma república Autônoma dentro da Ucrânia, com um estatuto específico e um orçamento próprio, além de ter sua própria Constituição, desde 1999.

Tags: cidade, constituição, doses, estratégica, poderio, recordação, região

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Comentários

1 comentário
  • fauzi amim salmem

    O Krushov transferiu porque todos ficariam em casa, na União das Repúblicas Socialistas. Com a queda da URSS, não foi a população da Criméia que se questionou, mas sim Kiev, incentivada pelas ONGs internacionais (braço digital dos interesses dos EUA e demais países da OTAN).

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