Jornal do Brasil

Sábado, 20 de Dezembro de 2014

Internacional

Venezuela: estudantes e opositores desafiam governo nas ruas

Portal TerraDavid González

Apitos, cornetas e uma multidão gritava pelas ruas e estações de trem e metrô na região metropolitana de Caracas neste domingo. Quem olha de primeira pode achar que se trata de uma festa de carnaval, mas o que acontece nas ruas são movimentos de estudantes e opositores ao governo de Maduro que vão contra o movimento turístico da população em dias de carnaval.

Juan Requesens, presidente da federação dos centros universitários da Universidade Central da Venezuela, a instituição mais importante do ensino superior do país, já havia dito que os estudantes iriam “criar um colapso na cidade” dias antes. As pessoas que atenderam ao chamado da oposição usaram pedaços de pano branco e deixaram claro que, este ano, muitos desistirão de viajar ou curtir o feriado. “O carnaval é aqui e agora”, gritava uma mulher entre a multidão entre gritos e aplausos de todos que a rodeavam.

Manifestantes participaram de um grande protesto contra o governo do presidente Nicolás Maduro na região metropolitana de Caracas, neste domingo
Manifestantes participaram de um grande protesto contra o governo do presidente Nicolás Maduro na região metropolitana de Caracas, neste domingo

Os organizadores da marcha carregavam cartazes diferentes no protesto. Parte da multidão seguiu para a praça Alfredo Sadel de Las Mercedes para manifestar contra a censura que afirmam estar sendo aplicada aos meios de comunicação no país. Outra parte do protesto seguiu para a praça Catellana, questionando a injustiça sobre apreensões de estudantes e dirigentes políticos da oposição.

Uma terceira parte da multidão foi para a praça Miranda de Los Dos Caminos, pedindo por segurança no país que, desde o ano passado, teve mais de vinte mil vítimas de homicídios. A quarta e última parte da multidão seguiu da cidade Banesco para protestar contra a falta de recursos básicos da população venezuelana, como leite e papel higiênico, além das longas filas nos comércios que têm de enfrentar todos os dias.

Uma mulher segurava um cartaz onde estava desenhado um grande revólver, em um fundo roxo, com uma mensagem que se dirigia ao governo de Nicolás Maduro: “A arte da paz não está em uma arma, desarme o coletivo já, se queres paz”. As palavras fazem alusão às críticas contra o grupo de civis armados e partidários do governo que têm sido associados a alguns dos 18 homicídios ocorridos na Venezuela desde 12 de fevereiro, quando iniciaram as manifestações, deixando também mais de mil prisioneiros. A maioria agora está livre, embora tribunal continue com 27 investigações abertas pelo Gabinete do Procurador-Geral sobre violações dos direitos humanos.

As manifestações deste domingo tiveram ponto inicial nos municípios de Baruta, Chacao e Sucre, na área metropolitana de Caracas. Todas foram controladas por líderes da oposição. Os manifestantes se convergiram na praça Brión de Chacaíto, onde Jorge Rodrígues, político chavista, disse que “não toleraria manifestações”. As ruas pareciam “transbordar” de tanta gente.

Foi feito um minuto de silêncio pelos falecidos nas manifestações do país. Estudantes gritavam  “Querem falar conosco? Coloquem em sua agenda: a liberdade dos estudantes não é negociável”, em resposta à Conferência Nacional de Paz, instalada na semana passada no país pelo governo. “O direito à vida, o governo tem de garantir”, disseram nos protestos.

Outra manifestação foi marcada para esta segunda-feira com concentração na praça Alfredo Sadel.

 

Tags: Atos, Caracas, mortes, protestos, ruas

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