Jornal do Brasil

Segunda-feira, 28 de Julho de 2014

Internacional

Ucânia põe Exército em alerta contra invasão russa

Agência ANSA

O governo da Ucrânia colocou seu Exército em alerta e convocou militares reservistas neste domingo (2), um dia após o Parlamento russo, a pedido do presidente Vladimir Putin, aprovar o envio de tropas ao país.

"A Rússia declarou guerra. Estamos à beira de um desastre", disse o primeiro-ministro da Ucrânia, Arseni Yatseniuk. "Esse é um alarme vermelho. Não é uma ameaça, mas sim, uma declaração de guerra contra o meu país", disse o premier. "Estamos pedindo para Putin retirar suas forças armadas da Ucrânia", destacou Yatseniuk. Para se proteger, a Ucrânia também decidiu neste domingo fechar seu espaço aéreo a veículos militares.

A decisão de Putin aumentou a escalada de tensão na Ucrânia, que já vinha sendo palco de protestos internos desde novembro do ano passado, contra o governo de Viktor Yanukovich (parceiro da Rússia), deposto no último dia 21. Após a saída do mandatário do poder, foi formado um governo interino Em maio, serão realizadas novas eleições.

O anúncio de que Moscou pode enviar tropas para a Ucrânia também despertou preocupações em toda a comunidade nacional. Os Estados Unidos já condenaram a interferência da Rússia e se disseram dispostos a ajudar o governo de Kiev caso for preciso. Washington também alertou que, se militares russos invadirem a Ucrânia, suas relações com Moscou sofrerão "consequências".

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, advertiu Moscou que o envio de tropas militares à Ucrânia ameaça "a paz e a segurança" da região e causa um "profundo impacto" nas relações entre EUA e Rússia. "A menos que a Rússia não adote medidas imediatas e concretas para encerrar a tensão, o efeito sobre as relações entre EUA e Rússia e sobre a posição internacional da Rússia serão profundos", disse Kerry. O secretário de Estado dos EUA ainda destacou que o país poderá buscar alianças para isolar Putin na comunidade internacional.

A França também adotou tons críticos contra a Rússia e pediu que os preparativos para a reunião do G8 em Sóchi sejam suspensos. O encontro das oito maiores potências mundiais está programado para ocorrer em junho na cidade russa que recentemente recebeu os Jogos Olímpicos de Inverno. Segundo o chanceler francês, Laurent Fabius, "os trabalhos devem ser interrompidos até que os russos voltem a respeitar os princípios do G7 e do G8". O pedido da França já foi aceito pelo Reino Unido, que suspendeu sua participação na cúpula. Os EUA foram ainda mais longe e disseram que a Rússia está correndo o risco de perder seu lugar dentro do G8.

Enquanto isso, na Rússia, manifestantes saíram às ruas de Moscou neste domingo para protestar contra a invasão da Ucrânia. Os protestos foram convocados por redes sociais. A imprensa local relatou que ao menos 285 ativistas teriam sido detidos.

Nos últimos dias, a Rússia começou a enviar militares para a região da Crimeia. Embora tenha maioria étnica russa, a Crimeia é uma região autônoma pertencente à Ucrânia. Acredita-se que haja entre 6 mil e 28 mil militares russos na Crimeia neste momento. Segundo fontes locais, somente nesta madrugada, chegaram à Crimeia 11 helicópteros e sete aviões militares russos para o transporte de tropas.

Milicianos fortemente armados também impediram o acesso de diversos jornalistas estrangeiros no norte da Crimeia, segundo apuração da ANSA. Equipes da rede britânica BBC, da televisão holandesa Nos e da MTV da Finlândia estão entre as bloqueadas.

ONU

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, telefonou a Putin para dizer que está "seriamente preocupado" com os acontecimentos na Ucrânia e, principalmente, com a maneira com que isso possa comprometer a integridade territorial, a união e a soberania do país.

OTAN

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) também se posicionou contra a Rússia e disse que Moscou está "violando os princípios da Carta da ONU, criando uma ameaça para a paz e para a segurança da Europa". 

Tags: Atos, capital, Governo, protestos, UCRÂNIA

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