Jornal do Brasil

Terça-feira, 29 de Julho de 2014

Internacional

Ex-presidente diz que Ucrânia está na mão de fascistas

Em coletiva, Yanukovich  pediu "desculpas" à população

Agência ANSA

O presidente deposto da Ucrânia, Viktor Yanukovich, pediu "desculpas" ao povo ucraniano e afirmou que "continuará lutando" por seus direitos políticos e pelo futuro do país, em uma coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (28) na cidade de em Rostov do Don, na Rússia. Durante a coletiva, Yanukovich estava acompanhado do vice-diretor da agência de notícias Itar-Tass, Mikhail Gusman.

    Atrás do presidente deposto, foram pregadas quatro bandeiras da Ucrânia. Yanukovich pediu para que todas as autoridades nacionais e internacionais respeitem o acordo firmado em 21 de fevereiro por ele e pela oposição ucraniana. O tratado foi assinado como meio de colocar fim aos protestos civis pró-União Europeia que, desde novembro, espalharam-se pela Ucrânia. Com o acordo, ficou estabelecido que Yanukovich deixaria (a contragosto) o poder, e que seriam convocadas novas eleições em 25 de maio. O presidente deposto também criticou a oposição e os manifestantes ucranianos, afirmando que a Ucrânia está "nas mãos de jovens neofascistas". 

Em relação à sua postura durante os protestos (criticada pela comunidade internacional devido ao uso da repressão policial), o ex-mandatário aproveitou a coletiva de imprensa para se desculpar. "Peço desculpas, acima de tudo, aos veteranos e, em seguida, ao povo ucraniano por tudo que aconteceu. Faltaram-se forças para manter a estabilidade e evitar o caos". Nos dias prévios à assinatura do acordo, as manifestações na Ucrânia foram marcadas por atos de violência e confrontos com a polícia. Ao menos 80 pessoas morreram, segundo o balanço oficial. Os protestos começaram quando Yanukovich rejeitou a assinatura de um tratado de associação com a União Europeia (UE) e demonstrou uma maior aproximação da Rússia. Parte da população, favorável ao bloco europeu e que culpa Moscou pela miséria na Ucrânia, saiu às ruas para protestar. 

"Não me encontrei com Vladimir Putin (presidente da Rússia), mas nos falamos ao telefone depois que cheguei à Rússia, graças a alguns oficiais patriotas que me ajudaram a salvar minha própria vida. Combinamos de nos vermos o quanto antes", informou Yanukovich durante a coletiva, denunciando ameaças que teria sofrido em seu país. "Não fugi da Ucrânia. Fui obrigado a sair de lá devido a uma série de ameaças". O presidente deposto afirmou que só voltará à Ucrânia quando houver "condições de segurança". Ele também negou a intenção de se candidatar às próximas eleições. "Não participo de eleições ilegais", criticou. Em Rostov-na-Donu, na Rússia, foram tomadas medidas adicionais de segurança para a coletiva de imprensa. O espaço aéreo da cidade foi patrulhado por helicópteros e agentes de polícia foram espalhados pelo centro. Segundo fontes locais, Yanukovich chegou ontem à cidade, a bordo de um avião particular que recebeu escolta de caças russos. (ANSA)

Tags: CONFLITO, crise, política, protesto, UCRÂNIA

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