Jornal do Brasil

Sábado, 26 de Julho de 2014

Internacional

Oposição não vai participar de conferência convocada por Maduro

Agência Brasil

Setores da oposição da Venezuela anunciaram que não participarão da Conferência Nacional de Paz, convocada pelo presidente Nicolás Maduro e ocorrerá hoje (26). Em uma carta enviada ao governo, Ramón Guillermo Aveledo, secretário da Mesa da Unidade Democrática (MUD), que congrega partidos de oposição, disse que a conferência é uma "simulação de diálogo, que na verdade representa uma enganação do governo".

Segundo Ramón Guillermo, não é possível dialogar, porque "a oposição diverge do governo quanto aos problemas". "A crise é grave e, para nós, opositores, a responsabilidade é do próprio governo, que escolheu uma política equivocada", disse.

Na avaliação da MUD, para haver diálogo, é preciso que uma agenda seja definida e haja permissão para mediação, nacional ou internacional.

Antes de iniciar a conferência Nacional de Paz, Maduro recebeu apoio de indígenas, camponeses e pescadores. Sem mencionar a decisão da oposição, Maduro incentivou a população a participar das festividades de carnaval, tradicionais em território venezuelano. “Lutar, dançar e vencer, que não tirem a nossa alegria”, disse. Ao lado de artistas locais, Maduro homenageou o presidente Chávez, que morreu há quase um ano. A multidão segurava fotos de líderes socialistas como Che Guevara, Fidel Castro e Hugo Chávez.

Em seu discurso, o presidente criticou os ataques a caminhões de distribuição de alimentos, aos centros de venda de alimentos e à Produtora e Distribuidora Venezuelana de Alimentos (Pdval), responsável pela produção e distribuição de alimentos a preços subsidiados pelo governo, e a realização de guarimbas – bloqueios de ruas e rodovias com fogo e lixo praticados por pequenos grupos violentos. Segundo ele, os responsáveis serão julgados.

“Quem ganha com isso? Quem está fazendo isso? O responsável por isso vai pagar”, disse. E acrescentou: “Mais de 50 venezuelanos morreram por falta de atendimento médico, porque essas guarimbas não permitiram a passagem de ambulâncias".

Até o momento, foram confirmadas 15 mortes, ligadas diretamente aos protestos no país e também mais de 140 feridos. O ministro de Assuntos Exteriores, José Manuel García-Margallo, disse que um cidadão espanhol morreu na cidade venezuelana de Valencia. Segundo o ministro, o espanhol (que não teve a identidade revelada) não participava dos protestos, mas foi atingido durante uma manifestação na cidade. A família da vítima está recebendo apoio da embaixada espanhola em Caracas.

Tags: Atos, Caracas, crise, política, protestos, ruas

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