Jornal do Brasil

Sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

Internacional

Dezenas de feridos são tratados em meio a nova onda de violência no Sudão do Sul

Jornal do Brasil

Pelo menos 150 pessoas feridas foram tratadas pela organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) após a nova onda de violência que afetou a cidade de Malakal, no estado do Alto Nilo, no Sudão do Sul, em 18 de fevereiro.

A MSF teme que a violência crescente esteja ameaçando a segurança da população mesmo em lugares onde a maioria dos deslocados internos está, atualmente, buscando refúgio – no complexo da missão da Organização das Nações Unidas na República do Sudão do Sul (UNMISS, na sigla em inglês), que abriga mais de 21 mil pessoas.

“Equipe médica de MSF administra vacinas contra sarampo em clínica de Nadapal, no Sudão do Sul”
“Equipe médica de MSF administra vacinas contra sarampo em clínica de Nadapal, no Sudão do Sul”

A maioria dos 150 feridos foi tratada por equipes de MSF e do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) em Malakal. Os pacientes foram internados nas instalações médicas da UNMISS com ferimentos à bala resultantes dos confrontos na cidade e da violência sectária no campo.

Muitas das pessoas na cidade foram obrigadas a buscar refúgio nesse complexo superlotado da UNMISS devido à grande insegurança na área. Algumas dessas pessoas deslocadas reportaram casos de assassinato e estupro de pacientes e familiares no único hospital em funcionamento na cidade. Essa instalação, onde a MSF estava atuando desde o dia 17 de fevereiro, também foi saqueada. 

Além disso, nos últimos dois dias, mais de 55 pacientes baleados nos confrontos em Malakal foram levados para tratamento na instalação de MSF em Nasir, no estado do Alto Nilo; a previsão é de que muitos outros chegarão nos próximos dias.

“Os altos níveis de violência interromperam as atividades humanitárias que estavam em andamento em Malakal para responder à crise”, afirma Llanos Ortiz, coordenador de emergência adjunto de MSF. “A insegurança que impera na região está tendo um impacto direto na vida da população sul-sudanesa e também representa um obstáculo para que as pessoas recebam assistência médico-humanitária imparcial”.

“Cruzando Nadapal em direção ao campo de refugiados em Kakuma (Quênia), eles esperam encontrar segurança e escapar dos conflitos no Sudão do Sul.”
“Cruzando Nadapal em direção ao campo de refugiados em Kakuma (Quênia), eles esperam encontrar segurança e escapar dos conflitos no Sudão do Sul.”

Desde o estabelecimento da crise em dezembro, os confrontos por todo o país estão tendo graves consequências para a população, afetada não somente pela violência em si, mas também pela situação humanitária alarmante e pré-existente.

“Há episódios de violência em diversas regiões do país, mas o Sudão do Sul também sofre com picos de doenças como sarampo e malária. Estamos preocupados com a chegada da estação das chuvas e o risco de surtos em contextos onde os serviços médicos têm sido largamente interrompidos”, alerta Llanos. “Isso pinta um cenário sombrio para uma população vulnerável com escassez de recursos”.

Tags: batalhas, médicos, ONG, sem fronteiras, Sudão

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