Jornal do Brasil

Segunda-feira, 24 de Novembro de 2014

Internacional

Novo protesto reúne cerca de mil pessoas em Sarajevo

Agência ANSA

No sétimo dia de protestos populares na Bósnia-Herzegóvina, aproximadamente mil pessoas participaram de uma manifestação nesta terça-feira (11) em Sarajevo para pedir a renúncia de Nermin Niksic, premier da Federação Bósnia (entidade de maioria croata e muçulmana que compõe o país), e de todos os ministros, além da formação de um novo gabinete formado por quadros técnicos até a realização de eleições.    

O ato correu sem registrar incidentes e as pessoas afirmaram que deixarão as ruas assim que o governo se demitir. Enquanto isso, o Partido Social Democrático apresentou no Parlamento uma modificação da lei eleitoral que, se aprovada, permitirá a antecipação do pleito. No entanto, a ideia já foi rejeitada por Milorad Dodik, presidente da República Srpska (entidade de maioria sérvia).    

Além disso, protestos ainda foram registrados em outras nove cidades, como Zenica, Bihac e Mostar, onde os manifestantes também pediam a renúncia de seus respectivos prefeitos. No entanto, apesar de não terem ocorrido confrontos, a tensão permanece elevada. A chefe de diplomacia da União Europeia (UE), Catherine Ashton, deve desembarcar em Sarajevo na próxima segunda-feira (17) para tentar acalmar os ânimos.    

A pouco menos de 20 anos do fim de um conflito que deixou cerca de 200 mil mortos, a Bósnia vive uma grave crise econômica e política. O estopim para as manifestações foi fechamento de fábricas privatizadas no município de Tuzla, na semana passada. E o que começou como um ato de operários logo se espalhou para os principais centros urbanos, tornando-se o maior movimento de protesto da nação desde o fim da guerra. Alguns falam até no início de uma "primavera balcânica".    

As dificuldades enfrentadas pelo país têm origem no Acordo de Dayton, tratado assinado em novembro de 1995. Elaborado com mediação internacional para encerrar um conflito que já durava mais de três anos, o documento referendou a independência da Bósnia, que fazia parte da ex-Iugoslávia, mas a dividiu em duas entidades independentes: a República Srpska (49% do território) e a Federação da Bósnia (51%).    

O sistema político é formado por um Parlamento único, uma Presidência tripartite -- com um representante bósnio muçulmano, um bósnio croata e um sérvio --, além de um primeiro-ministro. Essa divisão étnica, resquício da guerra, acabou engessando o governo e dificultando qualquer medida para tirar a nação balcânica da crise. (ANSA)

Tags: Atos, premier, Renuncia, ruas, serajevo

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