Jornal do Brasil

Domingo, 21 de Dezembro de 2014

Internacional

França conduz primeiro julgamento de genocídio em Ruanda

Agência Brasil

Após 20 anos do genocídio de Ruanda, um dos envolvidos começará a ser julgado hoje (4) na França - país acusado de ter apoiado o regime considerado responsável. Pascal Simbikangwa, 54 anos, paraplégico devido a um acidente em 1986, é julgado sob o princípio da jurisdição universal da Justiça francesa, que lhe permite sentenciar pessoas procuradas por crimes contra a humanidade cometidos no exterior. Entre abril e julho de 1994, cerca de 800 mil pessoas foram mortas no massacre.

O ex-capitão ruandense pode chegar a ser sentenciado à prisão perpétua. O julgamento será filmado e deve durar entre seis e oito semanas. Simbikangwa é acusado de cumplicidade no genocídio e em crimes contra a humanidade, de ter incitado, organizado e contribuído para a realização de massacres da população de Ruanda da etnia Tutsi, diferententemente da sua, Hutu. O ex-capitão teria organizado e armado milícias para realizar os crimes de limpeza étnica.

O acusado, que nega as imputações, apresentou-se à Justiça com o nome David Snyamuhara Safari, sob o qual foi detido em 2008 na ilha francesa de Mayotte, na costa Sudoeste da África, próximo a Moçambique. Ele confirmou ter sido capitão no Exército ruandês e depois nos serviços de informação, mas nega ter cometido os crimes.

As duas primeiras semanas do julgamento serão dedicadas a determinar o contexto que levou ao massacre de centenas de milhares de pessoas pelas milícias em Ruanda, doutrinadas e armadas pelo regime do presidente  da etnia Hutu, Juvenal Habyarimana, assassinado em abril de 1994 em atentado contra o avião em que viajava. O episódio desencadeou a crise que levou ao genocídio.

O Tribunal ouvirá cerca de trinta de testemunhas ruandesas, algumas das quais condenadas pelo Tribunal Penal Internacional para Ruanda - criado em 1994 pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas e pela Justiça ruandesa. Algumas testemunhas prestarão depoimento por videoconferência, outras, viajarão para testemunhar.

“A história está em marcha. Sempre nos questionamos porque levou 20 anos. É tarde, mas é um bom sinal”, disse o ministro da Justiça de Ruanda, Johnston Busingye.

“Finalmente esse julgamento começa. É ao mesmo tempo um alívio e uma preocupação enfrentá-lo”, disse o presidente do Coletivo das Partes Civis para Ruanda, Alain Gauthier.

Tags: acusação, crime, envolvido, julgamento, morte, ruanda

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.