Jornal do Brasil

Quinta-feira, 24 de Abril de 2014

Internacional

El País: por que as empresas de tecnologia e NSA divergem sobre Snowden?

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O professor de direito e ética do Georgia Institute of Technology Scheller College of Business, Peter Swire, publicou um artigo no jornal El País, na quarta-feira (29/1), avaliando as consequências do esquema de espionagem denunciado pelo ex-consultor da Agência de Inteligência dos Estados Unidos (NSA), Edward Snowden. No artigo "Por que as empresas de tecnologia e da NSA divergem sobre Snowden?", Swire, que já foi um dos membros do Grupo de Revisão do presidente Obama sobre Inteligência e Comunicações Technologies e principal conselheiro de privacidade do Escritório de Administração e Orçamento no período de 1999 a 2001, revela que há uma grande diferença cultural entre o Vale do Silício e Washington sobre a questão, e as razões revelam muito sobre os debates mais amplos acerca do fazer para chegar a uma solução. 

Como um membro do Grupo de Análise de Inteligência e Comunicações Technologies de Obama, o especialista conversou com muitas pessoas na comunidade de inteligência e nenhuma delas afirmou que Snowden era um informante, segundo ele. Swire analisa que a bronca surge da rotina diária de trabalhar com materiais classificados. Milhares de agentes de segurança cumprem as regras, e as pessoas podem e devem ser demitidas quando não são escrupulosas com os materiais classificados.

El País avalia a imagem de Edward Snowden no universo da tecnologia global
El País avalia a imagem de Edward Snowden no universo da tecnologia global

Os oficiais de inteligência vêem Snowden como um destruidor dos segredos classificados. Passou meses violando a lei em uma escala maciça. Ele avisou os adversários estrangeiros sobre os inúmeros programas que exigem horas de trabalho para revisar, muitos não vão recuperar a sua eficácia anterior. Mesmo que Snowden tenha rejeitado as opções existentes para um denunciante, incluindo comissões do Congresso ou caminhos na Agência de Segurança Nacional (NSA), a opinião do Vale do Silício e dos grupos de privacidade são bem diferentes. 

Há pouco tempo, o especialista questionou o líder de uma empresa do Vale do Silício sobre o debate de Snowden e ele respondeu que mais de 90% dos seus empregados consideram Snowden um denunciante. Parte dessa reação é baseada na visão de que este debate nacional sobre os programas da NSA não estaria acontecendo se Snowden não tivesse vazado as informações. A preocupação do Vale do Silício sobre a NSA surge a partir de uma filosofia do libertarianismo anti-sigilo. "Um slogan bem conhecido, há que 'a informação quer ser livre'", comenta o especialista.

A raiva da comunidade da tecnologia surgiu no momento em que os meios de comunicação informaram que a NSA havia minado um padrão de criptografia internacional. A capacidade de exportar criptografia era um assunto polêmico na década de 90, quando a ANS argumentava que o uso de tais recursos permitiria a terroristas e inimigos se comunicar imunes a vigilância. Uma divergência entre técnicos, grupos de privacidade e empresas de Internet, em 1999, convenceu o governo federal a autorizar a exportação de criptografia. Relatórios de mídia do ano passado despertaram temores latentes entre os técnicos da NSA estivessem criando uma Internet fundamentalmente insegura.

A raiva aumentou quando a mídia informou que a NSA tinha aproveitado as linhas de comunicação para utilizar os prestadores de online "nuvem". Em resposta, a Microsoft escreveu que "o que o governo estava potencialmente espionando, passou a constituir uma ameaça persistente e avançada". O especialista esclarece que esse é um termo técnico usado anteriormente para descrever ataques cibernéticos pela China. As principais empresas de tecnologia, em seguida, compraram páginas inteiras em jornais para anunciar as suas graves preocupações. A diferença entre a raiva de Snowden e a raiva com a NSA mostra a tensão entre o governo e o mundo da tecnologia. 

"Mas qual é o lado correto?", pergunta o especialista. Um elemento central da dissidência é mover a consciência da sociedade, assumindo a responsabilidade pessoal. "Mohandas Gandhi e Martin Luther King Jr. foram para a prisão por suas crenças, mas Snowden fugiu", compara ele. Na visão dele, Snowden colocou-se, conscientemente, acima da lei, alegando uma moral mais elevada. Clemência, sem ter passado por uma prisão, criaria um precedente ruim na realização de outros responsáveis na comunidade de inteligência. 

O presidente emitiu uma declaração de que as considerações das políticas externa, econômica e de privacidade devem passar a ser incluídas nas decisões sensíveis sobre a coleta de inteligência. Como demonstrado por um novo acordo entre o Departamento de Justiça e as empresas de tecnologia, haverá maior transparência sobre o acesso do governo às comunicações. "A Internet é o lugar onde acontece a vigilância para manter a nossa nação segura. É também onde nos envolvemos em e-commerce e nos expressamos de infinitas maneiras. O objetivo é criar uma estrutura de comunicações que protege diversos valores, importantes", conclui Swire.

Tags: empresas, espionagem, nsa, Obama, snowden, tecnologia

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