Jornal do Brasil

Quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

Internacional

'El País': o milagre do ano 2000

Jornal do Brasil

Em 8 de setembro de 2000, 189 chefes de Estado assinaram na sede da Organização das Nações Unidas em Nova Iorque uma série de promessas que foram chamadas de 'Declaração do Milênio'. Os governantes se comprometeram em reduzir a pobreza, a fome, a mortalidade infantil, a discriminação contra as mulheres dentre outros objetivos louváveis. O jornal espanhol El País considerou, na reportagem publicada nesta terça-feira (28/1) - "El milagro del año 2000" - que foi muito fácil de reconhecer naquele dia que aconteceu um milagre, que nos próximos dez anos iria melhorar a vida de centenas de milhões de pessoas pobres em todo o planeta.

A reportagem de Moisés Naim diz que os políticos têm ensinado a não acreditar, especialmente quando em setembro, Nova York recebe este encontro com "discursos hipócritas e mentirosos da conhecida Assembleia Geral da ONU". Rapidamente, a Declaração do Milênio foi divulgada na mídia: a guerra na Palestina, a recusa de Saddam Hussein em aceitar as inspeções ordenadas pela ONU, a escolha de Hillary Clinton de um senador ou a decisão da Suprema Corte dos EUA em reconhecer George W. Bush e Al Gore não como o vencedor das eleições presidenciais.

No entanto, desde 13 de setembro de anos atrás até hoje, a humanidade tem experimentado a maior redução da pobreza na história. Quinhentos milhões de pessoas saíram da pobreza em que viviam, a mortalidade infantil caiu 30% e as mortes por malária reduziram em 25%. Duzentos milhões de habitantes dos bairros mais pobres do mundo agora têm acesso a água, esgoto e melhores condições de moradia. Este progresso foi devido a muitos fatores - altas taxas de crescimento econômico, especialmente na Ásia, o aumento do emprego e dos salários, o aumento dos gastos públicos em saúde e a política social mais eficaz. A expansão do comércio internacional e dos investimentos estrangeiros na China e Índia também contribuíram para o enorme alívio da pobreza nesses países.

Mas a ampla adoção da Declaração do Milênio foi muito importante. Oito objetivos, 18 metas específicas e 60 indicadores foram definidos para medir o progresso de cada um. Os governos e as organizações internacionais se comprometeram a cumprir essas metas para uma data específica: 2015. Como esperado, os resultados têm sido desigual, o Brasil, por exemplo, atingiu muitas das metas.

Segundo o El País, a maior surpresa foi que, apesar dos objetivos ambiciosos e a crise econômica mundial que eclodiu em 2008, o progresso tem sido extraordinário. Além disso, algumas das metas, como reduzir pela metade o número de pessoas em extrema pobreza e aumentar o acesso à água potável, é atingido antes do prazo. Outros não devem ser alcançados em 2015, e alguns não foram progrediram, como a redução das emissões de dióxido de carbono (CO2), que contribuem para o aquecimento global. Não há dúvida, portanto, que temos de continuar a envidar esforços, rever metas e adicionar outras.

Para definir a agenda a partir de 2015, Ban Ki-moon, Secretário-Geral da ONU nomeou um painel de "pessoas eminentes", que escreveu um interessante relatório. Homi Kharas, um respeitado especialista em desenvolvimento que coordenou o trabalho deste grupo por mais de um ano, disse que ficou surpreso com o aumento da interdependência entre países ricos e pobres. "Sempre existiu, mas agora é mais profundo do que nunca", disse ele ao jornalista Moisés Naím. 

Naim afirma na sua reportagem que há uma variedade de problemas que os países ricos e pobres devem enfrentar juntos e em harmonia. Ele cita o aquecimento global e as barreiras ao comércio internacional. "Mas a notícia é que alguns dos problemas que antes eram características dos países menos desenvolvidos, são agora comuns nos países mais ricos. A desigualdade econômica é, talvez, o exemplo mais notável. Em muitos países pobres, a desigualdade é a situação 'normal'. Mas agora tornou-se visivelmente presente nos Estados Unidos e Europa. Nos Estados Unidos, a diferença entre a renda dos 1% mais ricos e o resto da população em 2012 alcançou sua maior extensão desde 1920. As altas taxas de desemprego nos países europeus mais afetados pela crise não tem nada a invejar ao desemprego crônico, que é tão comum em países de baixa renda. Temos que fazer algo", avaliou Naím. Ele finaliza citando o que precisa ser realizado: "em 2015, precisamos de um milagre como esse foi em 2000. Mas desta vez também deve incluir os países mais desenvolvidos".

Tags: comprometeram, governantes, onu, Planeta, POBREZA, reduzir

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