Jornal do Brasil

Terça-feira, 22 de Julho de 2014

Internacional

Líderes dos 33 países da Celac participam da cúpula em Cuba

Jornal do Brasil

Todos os 33 chefes de Estado e de governo dos países da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) estão em Havana, Cuba, para participar, a partir de hoje (28), da 2ª Reunião de Cúpula do organismo. Nos próximos dois dias, líderes, chanceleres e altos representantes desses países debaterão uma série de temas que são o centro de mais de 30 declarações especiais que estão sendo elaboradas - entre as quais a Declaração Final de Havana e o Plano de Ação da Celac para 2014.

Em 2013, a comunidade priorizou temas como a luta contra a fome e a pobreza, a desigualdade, o respeito aos modelos políticos, econômicos, sociais e culturais que garantem o desenvolvimento dos povos e a união de esforços em prol da equidade e da igualdade de oportunidades, baseados na diversidade. Ontem (27), os chanceleres dos 33 países se reuniram para entrar em um consenso sobre o conteúdo de cada documento temático e sobre a Declaração Final.

Para o subsecretário-geral da América do Sul do Ministério das Relações Exteriores, Antonio José Ferreira Simões, o encontro representa a celebração de um novo momento, de integração, em que se cria uma agenda comum entre os países participantes do grupo.

“A Celac em Cuba tem grande significado porque, rompendo com o passado de isolamento, Cuba não só está inserida dentro dela, como é presidente. E todos os chefes de Estado e de governos vão a Cuba nessa celebração de um novo momento da América Latina e do Caribe, e de um novo momento da integração. Outro ponto extremamente importante que tem a CELAC é que ela cria uma agenda comum. Antes da Celac havia agendas separadas, que não se comunicavam. Hoje, todos os países do Sul, na América Latina e no Caribe, têm uma agenda política e de cooperação em conjunto”, afirmou.

Antonio Simões explicou que no encontro será aprovado um plano de ação com pontos importantes para o Brasil, e cerca de 30 comunicados especiais.

“Nesse plano de ação, nós vamos delimitar quais as áreas importantes para tratarmos no ano que vem; e várias dessas áreas são muito significativas para o Brasil. Lá está, por exemplo, a questão da agricultura familiar, a questão de ciência e tecnologia. Por sinal, esse ano, o Brasil sediou duas reuniões: uma de agricultura familiar, em Brasília, e outra de ciência e tecnologia no polo tecnológico de Itaipu. A ideia é construir em conjunto, nessas áreas muito concretas, a cooperação entre todos os países da América do Sul e Caribe”, finalizou o subsecretário-geral.

Segundo o embaixador do Brasil em Cuba, Cesário Melantonio Neto, há espaços na Celac para a pluralidade de pontos de vista de mais de três dezenas de países.

“As expetativas do Brasil para a Celac são muito positivas, porque, sendo já a segunda cúpula, o grande interesse do Brasil é a maior institucionalização da Celac. A Celac já se fortaleceu com a sua criação e a primeira cúpula, mas uma das prioridades seria aumentar o relacionamento da Celac com terceiros países, do ponto de vista do Brasil, como o IBAS, o Brics e outros agrupamentos regionais”, explicou o embaixador.

A Celac teve sua criação iniciada durante a Cúpula da Unidade da América Latina e do Caribe, realizada na Riviera Maya (México), em fevereiro de 2010, e o processo de constituição finalizado durante a Cúpula de Caracas, em dezembro de 2011, realizada na Venezuela. Ela agrupa os 33 países da região, assumindo o patrimônio histórico da Cúpula da América Latina e o Caribe sobre Integração e Desenvolvimento (CALC) e da Cúpula de Mecanismo Permanente de Consulta e Concertação Política da América Latina e do Caribe (Grupo do Rio).

A Celac busca aprofundar a integração política, econômica, social e cultural da América Latina e Caribe, tendo como base o pleno respeito pela democracia e pelos direitos humanos. A 1ª Cúpula da Comunidade dos Estados Latinoamericanos e Caribenhos foi realizada, em janeiro de 2013, em Santiago (Chile). Esta II Cúpula marca uma etapa de consolidação do mecanismo regional. Ao longo de 2013, fortaleceu-se a articulação latino-americana e caribenha nas Nações Unidas; avançou-se no diálogo com grandes países emergentes, como Rússia e China; e deu-se prosseguimento à cooperação sobre políticas públicas e projetos de cooperação internacional.

A II Cúpula tem como tema a “Luta contra a fome, a pobreza e as desigualdades na América Latina e Caribe”. O momento é bastante propício para o reconhecimento dos expressivos avanços regionais logrados nessa matéria nos últimos dez anos. Desde 2002, as taxas de pobreza e de extrema pobreza foram reduzidas substancialmente na América Latina e no Caribe (respectivamente, de 42% para 27% e de 19% para 11%, de acordo com dados da CEPAL).

Tags: Americanos, comunidade, Cuba, estados, latino

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