Jornal do Brasil

Quarta-feira, 30 de Julho de 2014

Internacional

Governo e oposição no exílio se reúnem neste sábado

Agência ANSA

O enviado especial das Nações Unidas para o Oriente Médio, Lakhdar Brahimi, confirmou que a delegação do regime de Bashar al Assad, chefiada pelo chanceler Walid al Muallem, e a oposição síria no exílio, encabeçada por Ahmed Jarba, presidente da Coalizão Nacional, ficarão frente a frente neste sábado (25) durante a conferência de paz Genebra 2.    

O mediador internacional se reuniu nesta sexta-feira (24) separadamente com os dois lados e classificou as conversas como "encorajantes". Mais cedo, o governo sírio ameaçou deixar a Suíça caso não houvesse "seriedade" nas tratativas. "As duas partes estarão aqui sábado. Teremos um encontro e decidiremos o que fazer no domingo. Ninguém vai embora no sábado e nem no domingo", garantiu Brahimi.    

O enviado especial da ONU ainda demonstrou esperanças de que a conferência continue pelo menos até o final da próxima semana, quando poderá ser necessária uma paralisação de alguns dias. "A imensa ambição desse processo é salvar a Síria. Espero que as três partes, o governo, a oposição e a ONU, estejam à altura do desafio", concluiu o mediador.    

Em Davos, onde acompanhou o Fórum Econômico Mundial, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, reiterou que Assad não pode fazer parte do futuro de seu país e que não cogita sua presença em um gabinete de transição. "Ele perdeu sua legitimidade assassinando e jogando gás sobre o seu povo", afirmou. Por outro lado, Mohammad Javad Zarif, ministro das Relações Exteriores do Irã, que é o principal aliado do regime sírio na região, declarou que todos os combatentes estrangeiros devem deixar o país porque a solução para o conflito não deve ser militar.    

Cercada de expectativa nos últimos meses, a conferência Genebra 2 reúne o governo de Assad e grupos de oposição no exílio para tentar iniciar um processo de transição política. No entanto, é pouco provável que os dois lados cheguem a um acordo devido a diferenças irreconciliáveis na posição de cada um sobre o papel que o presidente deve ter no futuro da nação. E ainda que isso aconteça, tal acordo deve ser ignorado por grande parte dos rebeldes, jihadistas e moderados, que não reconhecem a liderança da Coalizão Nacional.

Tags: Armas, Civil, guerra, mortes, sírios

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