Jornal do Brasil

Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Internacional

Brasileira presa nos EUA acusa ex-marido de abusar de filha de 6 anos

Portal Terra

A brasileira Karla Janine Albuquerque, 43 anos, está presa desde o dia 16 deste mês no Texas, nos Estados Unidos, por ter descumprido uma ordem judicial. Em julho de 2011, a pernambucana se mudou com a filha Amy, hoje com 6 anos, da Flórida para o Texas, sem comunicar o Poder Judiciário, impedindo que o pai, o norte-americano Patrick Joseph Galvin, 53 anos, visitasse a menina. 

A mãe da brasileira, a defensora pública aposentada Kátia Sarmento Martins de Albuquerque, conta que o casal está separado desde 2007, logo após o nascimento de Amy. "Ela se separou por causa da violência doméstica e tomou conhecimento que ele tinha problema com a Justiça", explicou. Galvin faz parte de uma lista do Departamento de Polícia da Flórida como "sexual offenders", que define alguém que comete ou estimula atos sexuais.

Brasileira Karla Janine Albuquerque, 43 anos, presa nos Estados Unidos, acusa o ex-marido de abusar da filha de seis anos
Brasileira Karla Janine Albuquerque, 43 anos, presa nos Estados Unidos, acusa o ex-marido de abusar da filha de seis anos

Além disso, a família acusa o ex-marido da filha de ter abusado sexualmente da menina. Em 2010, a criança fez queixas na escola e exames constataram que havia escoriações na área genital. "Após o processo por alimentos, ele ganhou o direito a buscar a criança duas vezes por semana e a levava para uma praia, onde praticava as libidinagens dele. Logo que minha filha tomou conhecimento fez a denúncia à Justiça. Neste momento, ela estava com extrema dificuldade de sobrevivência. Pensava em voltar para o Brasil, mas precisava da autorização dele para trazer a menina, o que nunca permitiu", explicou. 

Em julho de 2011, Karla começou a receber ligações e mensagens de Galvin informando que o processo criminal de abuso sexual contra ele havia sido arquivado e que ele iria buscar a filha. "Recebendo as mensagens e sabendo das coisas que tinha acontecido, como ela iria entregar a filha para uma pessoa abusar? Ela foi na polícia, mostrou as mensagens e perguntou ao policial: 'isso é normal'? E ele disse que não era. 'Está vendo o que vai acontecer? Vou fugir e levar minha filha daqui'. Ela não podia levar a filha sem comunicar a polícia, mas ela não comunicou e saiu sem destino", contou a mãe da brasileira. 

Kátia conta que a filha se estabeleceu com a neta no Texas, em uma cidade na fronteira com o México. "Ela ficou lá de julho de 2011 até o dia 16 de de janeiro deste ano, tempo suficiente para a criança se fortalecer. Chegou na cidade, procurou a igreja, que deu todo o amparo e proteção porque ela tinha toda a documentação dos processos de violência doméstica. Começou uma vida nova", disse. "Ela não é uma jovenzinha brasileira que procurou um velhinho rico. Ele não é rico. Ele é um homem de classe média americana. Ele é um técnico de refrigeração", salientou a defensora pública aposentada sobre acusações que a filha teria se casado por interesse. 

Prisão

Ao procurar assistência médica no último dia 16, Karla foi detida. Um homem falando em espanhol ligou para a mãe em Pernambuco informando sobre a prisão por causa do descumprimento da ordem judicial. Na terça-feira, ocorreu uma audiência no Texas. A irmã mais nova de Karla, Karine, que também mora nos Estados Unidos e tem cidadania norte-americana, participou da audiência. "Ela foi agredida fisicamente e moralmente na saída pelo advogado dele (Galvin). Levou uns empurrões. Ele chegou lá no dia seguinte à prisão da minha filha e imaginou iria chegar lá e levar a minha neta. Só que a Justiça no Texas é diferente", ressaltou Kátia. 

De acordo com ela, a criança deverá ficar provisoriamente com um casal norte-americano amigo da família que mora no Texas. A definição deve ser tomada na próxima quarta-feira. Paralelamente, a família faz campanhas para arrecadar recursos para o pagamento das custas processuais. O auxílio pode ser dado por meio da página criada no Facebook ou por doações na conta 0174551-4 da agência 3201-8 do banco Bradesco em nome de Kátia Sarmento Martins de Albuquerque. 

"Estamos aguardando o apoio da Ordem dos Advogados do Brasil porque sou advogada inscrita regularmente na OAB, aguardando que aja doações dos fundos que nós criamos para pagar o advogado que está acompanhando o caso, e fazendo tudo o que o mais que for possível", completou.

O caso também é acompanhado pelo Itamaraty, que mantém contato com Karla no presídio onde está detida e com o seu advogado. A assessoria do órgão brasileiro, no entanto, adiantou que o processo é complexo e não permite uma resolução rápida. 

Tags: criança, EUA, impasse, internacional, pai

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