Jornal do Brasil

Quarta-feira, 23 de Abril de 2014

Internacional

El País: será que os latino-americanos são mais felizes do que os europeus?

Jornal do Brasil

Um artigo do jornalista Juan Arias publicado nesta quinta-feira (23/1) no jornal espanhol El País, avalia uma pesquisa do Ibope em parceria com o Independent Network Worldwide (WIN), que comprova um fato observado nos últimos cinco anos: os latino-americanos são os mais felizes do mundo, apesar dos graves problemas sociais e pobreza que enfrentam. Em todas as pequisas globais, os latino-americanos ultrapassam os índices de felicidade em relação os europeus ricos e ainda rivalizam com os países cujas populações são consideradas as mais felizes do planeta, como a Noruega, Finlândia e Suíça.

De acordo com a reportagem, o estudo conclui que os latino-americanos vêem o futuro com maior esperança, apesar de todos os seus problemas, por vezes graves, como a insegurança pública ou a distância entre ricos e pobres, injustiça social e a negligência da educação. A pesquisa foi realizada com 66.806 cidadãos e em 65 países nos cinco continentes. O latino-americano apareceu com a média global de 60% no quesito felicidade. Na América Latina, 86% na Colômbia, por exemplo, consideram-se felizes, 78% dos argentinos, 75% dos mexicanos e 71% dos brasileiros.

O estudo revelou que os países europeus são os menos felizes, como França, Espanha e Portugal. Entre os franceses, por exemplo, apenas 25% da população é considerada feliz. Os espanhóis quase não chegar a 20%. O português até menos. A América Latina nunca aparece em  pesquisas com altos níveis de infelicidade. Arias destaca, então, que para países com problemas graves, como a Argentina e a Venezuela, há um grau de felicidade dos cidadãos muito alto.

Juan Arias fez uma comparação da qualidade de vida dos latino-americanos e dos europeus. "A grande maioria dos franceses, por exemplo, são muito melhores economicamente do que os da América Latina, que desfrutam de uma taxa incomparavelmente maior de bem-estar social", avalia Arias. Nas linhas seguintes, o autor diz que, apesar desse quadro, o percentual de europeus que se declaram satisfeitos com sua vida é três vezes menor do que os latinos". Arias cita o Brasil ao apresentar as suas interpretações sobre o estudo. Ele comenta outro artigo publicado na Folha de São Paulo, na coluna de Fernando Cazian, informando que as pessoas declaram-se felizes, apesar de viverem em "um país pobre", onde apenas 1% da população ganha mais de 13.500 reais por mês; 4% recebe cerca de 6.760 reais mensais; 9% mais do que 3.390 reais; 16% acima de 2.014 reais e 46% dos brasileiros ganha somente 1.356 reais. E Arias conclui que 66% da população é remunerada com cerca de 2.034 reais, que é o salário mínimo na maioria dos países europeus.

A partir desse cenário, Arias questiona os motivos dos latino-americanos serem tão felizes, uma questão que só pode ser respondida por antropólogos, sociólogos, economistas e psicólogos, segundo ele. "Talvez a chave esteja no clima (...). E esse estado de espírito depende, por sua vez, do que foi o seu passado imediato e como eles vêem o futuro", destaca o texto. E arrisca mais uma possibilidade: "O que faz com que os latino-americanos pareçam mais felizes do que os europeus, pode ser algo em função do sentimento de felicidade após anos de tristeza, por causa das ditaduras e pobreza. Ao contrário de muitos europeus que, tendo desfrutado de 40 anos de liberdade e bem-estar econômico, experimentaram o sentimento derradeiro de nunca retornar ao estado de euforia, em meio à alegria e abundância criada pela União Europeia". 

Segundo o colunista do El País, o estudo é compatível com os novos movimentos que reivindicam um "festival", ou seja, cada vez menos a pobreza, e investimentos na qualidade de vida em um país em desenvolvimento. E esses movimentos, na visão de Arias, são liderados por jovens, que podem futuramente representar uma "dor de cabeça" para aqueles políticos que querem canalizá-los em seus planos. "Aquele que uma vez provou da doçura e da exaltação do partido, quer continuar a crescer e lutar por ele", diz o autor. Para Arias, somente conversando com esses jovens, pacíficos ou rebeldes, para tentar compreender as suas intenções, e eles podem interromper um processo que levou a América Latina ao prazer de desfrutar a felicidade.

Para fazer isso, continua Arias, os políticos não devem ser estadistas e burocratas, que impede a avaliação de algo novo que está caminhando em direção da maior felicidade para todos e não apenas para um grupo privilegiado. "Neste diálogo entre as partes, como acontece nas famílias em que as crianças começam a se rebelar, nos próximos anos os brasileiros e latino-americanos em geral, ainda vão sonhar com um futuro mais feliz", comenta Arias.

Tags: brasileiros, estudo, felizes, globais, Ibope, índices, latino-americanos

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.