Jornal do Brasil

Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Internacional

Editor do 'WP' avalia que a América escolheu os aliados errados no Egito

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Um dos editores do jornal norte-americano Washington Post, Jackson Diehl, publicou um artigo no veículo sobre o processo eleitoral no Egito e as suas alianças internacionais. Diehl dá destaque ao alerta do Conselho Nacional de Direitos Humanos, uma organização não governamental, de que os ativistas políticos Ahmed Maher, Mohammed Adel, Ahmed Alaa Abdel Douma e Fattah estão sofrendo maus-tratos na prisão, incluindo um confinamento em suas celas de mais de 20 horas por dia, e não foram autorizados a conversar com os seus advogados.

O jornalista deduz que os ativistas não puderam votar no referendo da semana passada, que aprovou uma Carta que isenta os militares, a polícia e os serviços de inteligência de supervisionar e submeter cidadãos que representem alguma ameaça à segurança para julgamento sumário em um tribunal militar. O artigo esclarece que os quatro homens foram presos no final de novembro, porque protestaram contra uma nova lei que proíbe toda e qualquer manifestação popular. 

Logo depois da prisão, o secretário de Estado americano, John Kerry, declarou que o caminho para a democracia está sendo levado à risca "pela nossa percepção". No dia 22 de dezembro, Maher, Adel e Douma foram condenados à três anos de prisão. "Seus verdadeiros crimes são conhecido por todos no Egito: eles foram os autores intelectuais e organizadores, em janeiro de 2011, de manifestações que derrubaram o regime apoiado pelos militares de Hosni Mubarak. Eles são de esquerda, intelectuais seculares que dedicaram suas vidas adultas à luta pelos direitos humanos, pela (...) liberdade de expressão, eleições livres, igualdade de gênero, a tolerância religiosa. Eles estão na prisão porque os generais e polícia secreta que eles retiram do poder estão agindo como uma vingança", destaca o artigo.

Diehl questiona: Quem são os aliados dos Estados Unidos no Egito? Para o jornalista, a decisão do governo de Obama é clara: "o secretário de Defesa, Chuck Hagel, mantem contato com o general Abdel Fatah al-Sissi através de telefonemas, ele liderou um golpe contra o governo islâmico do eleito Mohamed Morsi, em julho, enquanto Kerry apoiou, repetidamente, a reivindicação cada vez mais implausível do general para a construção de uma democracia - em oposição à restauração da ditadura pré-2011 em uma forma mais repressiva", explica o autor. O texto diz que o general Sissi e seu comparsa estão longe de serem pró-americano. Os meios de comunicação que eles controlam lideraram as publicações atribuindo aos Estados Unidos ações que deixaram o Egito em pedaços para subverter sua moral.

O jornalista do WP avalia que Maher, Adel, Douma e Abdel Fattah não são pró-americano e nem querem ser, mas eles possuem os valores essenciais dos americanos. Se chegassem ao poder, o Egito poderia se assemelhar a Índia ou ao Brasil: "um parceiro, às vezes difícil, mas que tem um regime democrático". Ele diz ser essa uma das razões pelas quais eles estão na cadeia. Natan Sharansky, político israelense que agora dirige a Agência Judaica para Israel, discutiu durante uma década que o Ocidente, liderado pelos Estados Unidos, deve basear as suas políticas envolvendo o Egito e o resto do Oriente Médio, em aliança com tais dissidentes democráticos. "Quando o vi na semana passada, ele estava desesperado com os resultados desastrosos da decisão de Obama ao abraçar Mubarak", contou o jornalista no seu artigo. 

"Por que os Estados Unidos não torna a libertação de Maher, Adel, Douma e Abdel Fattah uma prioridade, além de pessoas como eles que organizam os movimentos massivos e que representa a genuína democracia?", questiona o jornalista. Segundo ele, isso costumava ser descartado como algo irreal; os egípcios, supostamente, não estavam interessados na democracia. "Se começasse a colocar o foco nos democratas reais no Egito, e na construção da sociedade civil, em poucos anos teríamos uma mudança democrática real", disse Sharansky ao jornalista. E complementou: "Em vez disso, este presidente dos EUA parece empenhado em repetir os erros do passado".

Tags: alianças, direitos, Egito, humanos, prisão

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