Jornal do Brasil

Quinta-feira, 24 de Abril de 2014

Internacional

La Nacion: tem que mudar a capital, mas não de qualquer maneira

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Um artigo publicado no jornal La Nacion, nesta sexta-feira (17/1), afirma que a comunidade política argentina está gastando muita energia somente com o tempo presente, sem planejar o futuro. Por isso, o povo está passando por um processo de doença, embora a retórica diga o contrário. As discussões dos projetos de reforma estrutural nos vários campos essenciais são raras. Segundo o autor do texto, o analista político Aldo Neri, há sempre razões aparentes para postergar: ineficiência ou corrupção no Estado, a suposta distração para atender a outras prioridades circunstanciais.

A proposta de transferência da capital foi um dos projetos adiados. O autor diz que a única vez que ele conseguiu ver um projeto oficial do governo foi na administração do presidente Alfonsín. Neri avalia que o ex-presidente pretendia fazer algo, mas não podia, e isso já era um símbolo de um projeto num conjunto de medidas que tendem a inverter a tendência secular da centralização viciosa na Argentina, nos campos políticos, econômicos, demográficos, sociais e culturais, além da ineficiência do Estado.

O texto diz que uma opinião aparentemente pessoal de um alto funcionário oficial, recentemente, o colocou no centro das atenções. "Parabéns! Mas parabéns com algumas precauções que exige explicação: não que eu ache que essa é a intenção do opinativo, deve-se dizer que esta iniciativa não pode servir para desviar a atenção do público de outras questões candentes que enfrenta o governo.Também não se deve servir para alimentar o sonho das pessoas nas ruas de Buenos Aires, pois não atende seu protesto contra as autoridades, e, mais importante, para transmitir ao público a ideia de que este é o projeto 'varinha mágica' para resolver os nossos problemas. Porque, na realidade, como pensava Alfonsín, é apenas a ponta de lança de uma política de estado integrada no médio e longo prazo, o que reverteria a nossa tendência histórica para a assimetria e desenvolvimento desigual. Não é uma coisa que olhamos com a mesma miopia que enfrentamos, não há muito tempo, um assunto complexo, como crises juvenis e socioculturais de um regime criminoso por trás da restrição de uma aposta estúpida com a idade alternativa de prestação de contas", analisa Neri.

Neri vai ao passado para apontar algumas interpretações que, na opinião dele, são distorcidas. Ele diz que deve-se evitar futuras distorções dos porta-vozes da história, que engloba não apenas fatos contemporâneos, mas também a interpretação da questão apresentada. Assim, há um caminho de estudar opções de localização geopolítica e grau de descentralização e modernização do Estado nacional, o fortalecimento do federalismo autêntico e justo, dentro de uma concepção de unidade como uma nação sem filhos e enteados.

A ideia do projeto ochentista na Patagônia, não implicou num adiamento para outras regiões do interior, apoiando o desenvolvimento da área menos povoada do país, que tem ao mesmo tempo muitos ricos recursos naturais e possibilidades produtivas que estão bem acopladas às exigências da economia moderna. Quase 30 anos depois, deve ser avaliada outra opção, através de uma discussão nacional abrangente e apropriada, que inclua estudiosos e os diversos setores políticos, para chegar a um razoável consenso, minimizando a distorção local e o oportunismo sectário.

Os grandes propósitos nacionais devem ser construídos sobre as necessidades reais para não resultar em frustração coletiva, segundo Neri. Ele afirma que construir uma sociedade estável significa uma maior justiça distributiva geográfica, e isso não se consegue apenas distribuindo subsídios: precisa de reformas estruturais.

Tags: alfonsin, Argentina, Corrupção, estrutural, política, reforma

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