Jornal do Brasil

Sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Internacional

Santa Sé: "não há desculpas para violência contra menores"

Comitê da ONU pede rapidez no tratamento dos casos de pedofilia

Jornal do Brasil

O representante da Santa Sé na Organização das Nações Unidas (ONU), monsenhor Silvano Tomasi, afirmou nesta quinta-feira, ao Comitê de Direitos da Criança da ONU que "não há desculpas para os casos de exploração e violência contra menores". No entanto, ele reconheceu que existem responsáveis por abusos em todas as profissões, inclusive no clero. "Existem abusadores entre os membros das profissões mais respeitadas do mundo e, mais lamentavelmente, inclusive entre membros do clero e de funcionários da Igreja", disse o monsenhor.

Silvano Tomasi ressaltou a oportunidade de a Igreja participar do debate sobre os abusos sexuais praticados contra crianças. "A Santa Sé delineou políticas para ajudar a eliminar tal abuso e a colaborar com as autoridades estatais para lutar contra esse crime. A Santa Sé também se comprometeu a ouvir as vítimas de abuso e a admitir o impacto de tais situações nos sobreviventes e em suas famílias", disse Tomasi.

O representante da Santa Sé foi mais longe e garantiu que a grande maioria do clero forneceu e continua fornecendo uma ampla variedade de serviços às crianças, educando-as, apoiando suas famílias e respondendo a suas necessidades materiais, emocionais e espirituais. "Crimes anteriores cometidos contra menores foram justamente julgados e punidos pelas autoridades civis competentes em seus países", acrescentou.

Por outro lado, o Comitê de Direitos da Criança pediu rapidez à Igreja no tratamento dos casos de pedofilia e criticou a maneira como a Santa Sé lida com os casos.

Mais cedo, o Vaticano negou que tenta obstruir as investigações sobre os casos de pedofilia cometidos por sacerdotes. Signatário da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança desde abril de 1990, o Vaticano apresentou seu primeiro relatório sobre o tema em 1994, examinado em 1995. Hoje, porém, foi a primeira vez que a Santa Sé se pronunciou após um pedido oficial do comitê da ONU.

O organismo enviou uma série de perguntas ao Vaticano em julho de 2013, mas no fim do ano passado a Santa Sé se negou a disponibilizar documentos referentes às investigações dos casos de pedofilia.

"O empenho da Santa Sé e dos Papas na defesa dos direitos das crianças não é de agora. A Santa Sé aderiu à convenção de 1989, ratificou dois protocolos sobre prostituição infantil e violência, lutou contra os abusos do clero e deu amplas e eficazes respostas à discriminação de filhos fora do casamento", defendeu o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi.

Por sua vez, o representante da Santa Sé na ONU, monsenhor Silvano Tomasi, disse que "impedir o andamento da justiça, em qualquer país, em detrimento da sua legítima jurisdição, seria uma interferência indevida e injusta".

"A Santa Sé defende o direito e o dever de todo país de julgar qualquer crime contra menores de idade. Portanto, não convém a crítica de que se tenta interferir e obstruir o andamento da justiça. Pelo contrário, como o papa Francisco insiste em dizer, queremos que haja transparência e que a justiça siga seu curso", completou.

O Vaticano já recebeu dezenas de denúncias de pedofilia em todo o mundo. Uma das punições aplicadas pela Santa Sé é afastar os sacerdotes envolvidos nos casos e realizar uma investigação interna. 

Com Agência Ansa

Tags: depoimento, Nações, Organização, Unidas, vaticano

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