Jornal do Brasil

Sábado, 27 de Dezembro de 2014

Internacional

Pela primeira vez, Vaticano fala na ONU sobre pedofilia

Agência ANSA

No dia em que será examinado pelo Comitê das Nações Unidas sobre o Direito das Crianças, o Vaticano negou que tenta obstruir as investigações sobre casos de pedofilia cometidos por sacerdotes.

Nesta quinta-feira (16), representantes do Vaticano prestam esclarecimentos à ONU sobre o que o Estado tem feito para conter os abusos sexuais, em um painel em Genebra, na Suíça.

Signatário da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança desde abril de 1990, o Vaticano apresentou seu primeiro relatório sobre o tema em 1994, examinado em 1995. Essa, porém, é a primeira vez que a Santa Sé se pronunciará após um pedido oficial do comitê da ONU.

O organismo enviou uma série de perguntas ao Vaticano em julho de 2013, mas no fim do ano passado a Santa Sé se negou a disponibilizar documentos referentes às investigações dos casos de pedofilia.

"O empenho da Santa Sé e dos Papas na defesa dos direitos das crianças não é de agora. A Santa Sé aderiu à convenção de 1989, ratificou dois protocolos sobre prostituição infantil e violência, lutou contra os abusos do clero e deu amplas e eficazes respostas à discriminação de filhos fora do casamento", defendeu o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi.

Por sua vez, o representante da Santa Sé na ONU, monsenhor Silvano Tomasi, disse que "impedir o andamento da justiça, em qualquer país, em detrimento da sua legítima jurisdição, seria uma interferência indevida e injusta".

"A Santa Sé defende o direito e o dever de todo país de julgar qualquer crime contra menores de idade. Portanto, não convém a crítica de que se tenta interferir e obstruir o andamento da justiça. Pelo contrário, como o papa Francisco insiste em dizer, queremos que haja transparência e que a justiça siga seu curso", completou.

O Vaticano já recebeu dezenas de denúncias de pedofilia em todo o mundo. Uma das punições aplicadas pela Santa Sé é afastar os sacerdotes envolvidos nos casos e realizar uma investigação interna. (ANSA)

Tags: Francisco, igreja, Nações, papa, Unidas

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