Jornal do Brasil

Sexta-feira, 28 de Novembro de 2014

Internacional

Morte de Ariel Sharon reacende debates históricos

Palestinos lembram massacre em campos de refugiados

Portal Terra

A morte do ex-premiê Ariel Sharon reacendeu vários debates na sociedade israelense sobre os capítulos mais dramáticos da história do país nos quais o ex-general esteve envolvido. A biografia de Sharon está entrelaçada com a história do Estado de Israel desde sua fundação, em 1948, pois ele ocupou postos-chave tanto na liderança militar como politica do país – até sofrer o derrame cerebral que o deixou em coma, em janeiro de 2006.

Embora estivesse afastado da vida pública nesses oito anos em que ficou em estado vegetativo, sua morte gerou uma comoção surpreendente. Desde as 14h de sábado (horário local), quando a morte foi anunciada, a figura de Ariel Sharon vem tomando todo o espaço em todos os veículos de comunicação de Israel. Inúmeros entrevistados, que acompanharam diversas fases da vida de Sharon, resumem a longa biografia politica e militar do homem que marcou a história de Israel e do Oriente Médio. Massacre nos campos de refugiados palestinos e a retirada da Faixa de Gaza despertam emoções no país como se tivessem acontecido ontem.

E voltam à tona debates sobre episódios do passado de Sharon que também são o passado do país, como o massacre nos campos de refugiados palestinos de Sabra e Shatila (1982), a retirada dos assentamentos da Faixa de Gaza (2005) e a saída de Sharon do partido de direita Likud e a fundação do partido de centro Kadima. Os debates despertam emoções, como se os fatos tivessem acontecido ontem, e demonstram mais uma vez como Sharon era uma figura controversa.

"Agradeço a Deus por ter afastado Sharon do cargo (de primeiro ministro), antes que conseguisse causar aos residentes de Judeia e Samaria (colonos da Cisjordânia) a mesma tragédia que causou aos residentes de Gush Katif (colonos da Faixa de Gaza)", disse a deputada Orit Struck, do partido de extrema direita Habait Hayehudi (Lar Judaico), que faz parte da coalizão governamental.

O pronunciamento de Struck causou choque a muitos em Israel, que consideram Sharon um herói de guerra, mas expressa o ódio que a direita israelense sente pelo ex-premiê, por ter retirado à força 8 mil colonos da Faixa de Gaza e destruído 21 assentamentos no território palestino.

"Vaca leiteira" Beni Katsover, um dos lideres dos colonos da Cisjordânia, comparou Sharon a uma "vaca que dava leite mas acabou chutando o balde", em referência ao fato de que Sharon foi o principal "motor" por trás da construção de mais de 100 assentamentos israelenses nos territórios ocupados, mas também foi o único primeiro ministro que desmontou assentamentos.

Segundo Daniel Issascharov, 30 anos, dono de um bar na rua Allenby, no centro de Tel Aviv, "Sharon foi o maior combatente da história de Israel, mas não gostei do que ele fez na Faixa de Gaza".

Já Eva Schachter, 75 anos, dona de um restaurante na mesma rua, disse ao Terraque concordou com a retirada dos assentamentos da Faixa de Gaza. "Era necessário retirar os colonos de lá e acho que também devemos desmontar os assentamentos da Cisjordânia para fazer a paz", afirmou.

Shachter está revoltada com o fato de que Sharon foi mantido em estado de coma durante oito anos. "Foi decisão dos filhos dele, Omri e Gilad, eles não deviam ter feito isso, Sharon deve ter sofrido muito durante esses oito anos e foi uma despesa desnecessária para os cofres públicos", disse.

Parece que a única unanimidade ligada a Sharon é sobre sua relação com sua esposa, Lili, que morreu em 2000. Não é por acaso que o jornal mais popular de Israel, o Yediot Ahronot, escolheu colocar uma foto de Sharon abraçando Lili em sua primeira página deste domingo.

Todos concordam que entre eles havia um grande amor. Sharon pediu para ser enterrado ao lado de Lili em sua fazenda no sul do país, e o funeral será realizado na segunda feira (13).

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