Jornal do Brasil

Sexta-feira, 28 de Novembro de 2014

Internacional

Próspera, Alemanha precisa de trabalhadores estrangeiros

Jornal do Brasil

Deutsche Welle - O ano de 2013 chegou ao fim na Alemanha com prognósticos positivos para o mercado de trabalho. O número de desempregados só aumentou em 67 mil, alcançando 2,873 milhões – menos do que usual para a época do ano. Isso equivale a um acréscimo de 0,2 pontos percentuais, totalizando uma quota de desemprego de 6,7%.

Segundo o especialista em mercado de trabalho Gerhard Bosch, da Universidade de Duisburg-Essen, a situação relativamente positiva reflete a grande capacidade de renovação da economia alemã. Além de as exportações estarem em boa fase, o consumo também aumentou, graças, sobretudo, a significativos aumentos salariais.

"O problema, no entanto, é que em 2013 não se investiu muito, por as empresas estarem apreensivas com as perspectivas de longo prazo", pondera Bosch. De acordo com ele, as deliberações do novo governo, porém, permitem prever uma melhoria, já que haverá mais verbas para infraestrutura e ensino. O consumo, afirma, também deverá se beneficiar do aumento das aposentadorias e da introdução do salário mínimo.

Analistas da Agência Federal do Trabalho (BA) preveem para 2014 mais uma leve redução do número de desempregados, cuja média anual deverá se manter em 2,9 milhões. Por sua vez, o Instituto da Economia Alemã (IW), ligado às associações patronais, é mais cético.

Por um lado, as enquetes realizadas no fim do ano junto às grandes associações empresariais confirmam que o clima é bastante otimista, diz o diretor do IW, Michael Hüther. Apesar disso, não se criarão novos postos de trabalho. "Não vai haver muito acréscimo. Temos um recorde histórico de ocupação, de 42 milhões de empregados. Mas agora essa dinâmica se esgota."

Romenos e búlgaros

A BA não se mostra preocupada com a imigração de concorrentes a emprego dos dois mais pobres Estados-membros da União Europeia, a Bulgária e a Romênia, que desde 1º de janeiro passaram a se beneficiar do princípio da livre circulação de trabalhadores dentro do bloco europeu.

Nos últimos anos, cidadãos desses países já vinham entrando no mercado de trabalho alemão, como trabalhadores sazonais na agricultura ou em setores que carecem urgentemente de mão de trabalho, como a saúde, cuidados ou gastronomia, argumenta agência de trabalho.

"A maioria dos búlgaros e romenos que vivem na Alemanha são imigrantes por motivos de trabalho, não por motivos de pobreza", afirma Herbert Brücker, do instituto de pesquisa profissional IAB.

Martin Wansleben, diretor geral da Confederação Alemã das Câmaras de Indústria e Comércio (DIHK), alerta para o perigo de o atual debate na Alemanha sobre a imigração vir a prejudicar a economia. "A imigração em geral não pode assumir um aspecto negativo devido a uma discussão política acalorada", reforçou.

Devido a sua atual tendência demográfica, a Alemanha precisará, nos próximos anos, de até 1,5 milhão de trabalhadores estrangeiros qualificados, lembra Wansleben. Eles ajudariam a "assegurar o crescimento e estabilizar os sistemas sociais".

Entretanto, a atual discussão indica a necessidade de ação dentro da sociedade alemã, prossegue o diretor da DIHK: "Precisamos continuar aprimorando uma cultura de boas-vindas para os imigrantes. É uma tarefa para a sociedade como um todo: política, Igrejas, sindicatos, empresariado, todos têm que prestar sua contribuição."

Benefícios da imigração superam carga

Segundo dados recentes, há 155 mil romenos e búlgaros profissionalmente ativos na Alemanha. Sua quota de desemprego é a mais baixa de todos os trabalhadores estrangeiros. E agora esses dois grupos poderão procurar emprego em todos os setores.

"Em consequência, temos também melhores chances de integração para as pessoas desses dois países, para os quais, desde 1º de janeiro, vale a mobilidade da mão de obra", prevê Heinrich Alt, da diretoria da Agência Federal do Trabalho.

Ele admite, no entanto, haver no momento um problema: "A imigração da Bulgária e Romênia está associada a certas regiões [alemãs], e lá ocorrem problemas que as municipalidades de Duisburg, Dortmund, Berlim, Mannheim, Offenbach não podem resolver sozinhas."

Segundo analistas, nessas cidades problemáticas apenas 10% a 20% dos imigrantes trabalham. Por outro lado, só uma pequena parte deles recorre à previdência social. Essas pessoas, que nem requerem benefícios, nem contribuem para o sistema social através de seus encargos, "apresentam, naturalmente, um grande problema", aponta Herbert Brücker. Ainda assim, assegura, os romenos e búlgaros da Alemanha "contribuem para os sistemas de aposentadoria e seguridade, de forma que o Estado social sai ganhando".

De toda maneira, a Agência Federal do Trabalho começou a contratar novos funcionários em sua sede em Nurembergue. Ainda há um déficit de especialistas administrativos e pedagogos sociais com bons conhecimentos dos idiomas romeno e búlgaro, aptos a aconselhar com êxito os candidatos a trabalho dos dois países. 

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