Jornal do Brasil

Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Internacional

Crise nos presídios do Maranhão é destaque na mídia internacional

'The Wall Street Journal' destaca vídeo de decapitados e aponta ilegalidade em unidades prisionais

Jornal do Brasil

O The Wall Street Journal (WSJ), um dos mais renomados veículos de comunicação americano, repercutiu na sua edição eletrônica desta quarta-feira (8/1) o caso dos internos decapitados no complexo penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão. O vídeo publicado pela Folha de S. Paulo, com as imagens mostrando as cabeças e corpos de três detentos decapitados no pátio da prisão, é denominado pelo Wall Street de "horrível" e destaca que a o quadro chama a atenção "para a ilegalidade em estabelecimentos prisionais do país".

Wall Street Journal repercute discurso de Roseana Sarney:  "Reafirmo minha determinação no combate ao crime e ao tráfico de drogas"
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O WSJ comentou as críticas do vice-presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário do Estado do Maranhão (Sindspem), César Bombeiro, que denunciou as más condições em prisões no Maranhão, além do "subinvestimento" do governo do estado e da superlotação em Pedrinhas, que está com o dobro de sua capacidade. A reportagem informa que a governadora Roseana Sarney aceitou a oferta do governo federal de transferir alguns prisioneiros perigosos para presídios federais mais seguros. E que Brasília, no ano passado, enviou uma equipe de emergência da Força Nacional de Segurança Pública para ajudar a gerenciar a segurança em Pedrinhas.

"As rebeliões nas prisões, as disputas de gangues e assassinatos de presos são comuns no Brasil, onde a grande maioria dos estabelecimentos prisionais são administrados pelos governos estaduais, que muitas vezes lutam para financiá-los", destaca o texto. O jornal entrevistou o professor e especialista em segurança pública da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Ignacio Cano. Na avaliação de Ignacio, cerca de 60 mortes em prisões do ano passado no Maranhão representa pouco mais de 3% da população de 200 milhões de pessoas no Brasil, sendo um fator descomunal.

O jornal destaca que esse episódio é o segundo em menos de um ano e reforça a imagem de má administração do estado nas manchetes internacionais. Em junho, o caso do árbitro de futebol que foi decapitado depois de uma partida amadora de futebol chocou o mundo. E em 2010, uma rebelião de presos em Pedrinhas durou 30 horas, resultando em 18 mortos, três deles decapitados, de acordo com o Conselho Nacional de Justiça. O WSJ destaca ainda que em um relatório, divulgado em 2011, o Conselho de Justiça concluiu que problemas como a superlotação, falta de água e falta de separação gangues rivais provocou a rebelião.

Uma carta do conselho de ministro da Justiça do Brasil em 27 de dezembro, destaca o jornal americano, criticou as autoridades locais. Informa ainda que, em um comunicado durante esta semana, o governo Maranhão atacou o ministro por "espalhar inverdades". "O vídeo sangrento aumenta a pressão sobre Roseana Sarney no sentido de abordar as condições das prisões, depois de anos de relatórios contundentes do governo federal. A imprensa local descreveu o incidente como um 'olho roxo' para a família Sarney, já que a senadora e o ex-presidente do Brasil, José Sarney, pai de Roseana, dominam a política do Maranhão por meio século", destaca o texto.

Tags: decapitados, detentos, pedrinhas, prisional, Roseana, sarney, Sistema

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