Jornal do Brasil

Sábado, 19 de Abril de 2014

Internacional

O lado negro de 2013: os crimes que chocaram o mundo

No Brasil, o caso do pedreiro Amarildo de Souza ganhou repercussão internacional

Jornal do Brasil

Em diversas partes do mundo, atos criminosos fizeram do ano de 2013 um ano violento e polêmico. No Brasil, o caso do pedreiro Amarildo de Souza, desaparecido da favela da Rocinha, Zona Sul do Rio de Janeiro, no dia 14 de julho, ganhou repercussão internacional e tornou símbolo de abuso de autoridade e violência policial. Amarildo sumiu após ser conduzido por policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha para uma "averiguação". As conclusões do Ministério Público incriminam os PMs e aponta o comandante da unidade, Edson dos Santos, como mandante do crime.  

Um dos crimes que mais chocou o mundo aconteceu em julho, na China, na Província de Jiangsu. Um bebê levou 90 tesouradas da sua própria mãe. O motivo foi a criança ter mordido o seio enquanto mamava. A mulher é uma catadora de lixo e a criança foi encontrada por um tio, deitado em uma poça de sangue no quintal de sua casa. O menino sobreviveu.

Na África do Sul, a modelo Reeava Steenkamp foi encontrada morta no dia 14 de fevereiro. O principal acusado pelo crime é o seu namorado, o campeão paralímpico sul-africano Oscar Pistorius. A polícia sul-africana anunciou que Pistorius usou um taco de críquete para agredir a modelo e depois a matou a tiros. O atleta alega ter matado Reeva por engano, ao confundi-la com um invasor da sua mansão. Pistorius será julgado em março de 2014.

Em outubro, a África do Sul voltou a chamar a atenção do mundo em outro episódio dramático. Os corpos de duas meninas de dois e três anos foram encontrados em um banheiro público no município de Diepsloot. A perícia revelou que as crianças foram estupradas antes de serem assassinadas.

Na Índia, os casos de estupro coletivo de jovens mulheres revoltou o mundo. Uma fotojornalista e uma turista suíça foram violentadas, o que causou uma redução de 25% no setor turístico do país.

Em maio, a revelação de um criminoso causou espanto e revolta. O britânico Geoffrey Portway, preso no ano passado por distribuir material de pornografia infantil, confessou os seus planos de estuprar, assassinar e comer o corpo de crianças no porão de sua casa em Massachusetts, nos Estados Unidos. Na residência foram encontrados gaiola de aço, caixão infantil artesanal, bisturis, freezers e ferramentas para fazer castração.

Em Moscou, no dia 17 de janeiro, o diretor artístico do Balé Bolshoi, Sergei Filin, foi atacado com ácido no rosto, quando deixava a portaria do prédio em que reside. Filin perdeu 95% da sua visão e passou por 23 cirurgias de reparação. Em 3 de dezembro, foi noticiado uma novidade sobre o caso. O bailarino Pavel Dmitrichenko, de 29 anos, foi condenado a seis anos de prisão, acusado de ser o mentor do ataque. Dmitrichenko alegou que Filin maltratava a sua mulher, a bailarina Angelina Vorontsova.

Na Bélgica, a população ficou chocada com as imagens da morte de um jovem em uma delegacia, ocorrido em janeiro de 2010, mas que se espalhou pelas redes sociais em fevereiro deste ano. O fisiculturista Jonathan Jacob, de 26 anos, foi assassinado violentamente por agentes do Estado. Ele era dependente de anfetaminas e havia ficado sem a droga. Pediu, então, a uma viatura que encontrou na rua que o levasse para um centro psiquiátrico. Mas Jacob ficou violento ao chegar na unidade médica e chegou a agredir algumas pessoas. Por isso, foi levado à delegacia. Seis policiais com capacetes, cassetetes e escudos esmagaram o jovem com diversos socos, com o pretexto de colocar as algemas para tentar injetar um medicamento calmante. O rapaz morreu vítima de uma hemorragia interna.

Michelle Knight, Amanda Berry e Gina DeJesus foram sequestradas por Ariel Castro nos anos de 2002, 2003 e 2004, respectivamente, e passaram dez anos em um cativeiro na cidade de Cleveland, no estado norte-americano de Ohio. As mulheres ainda foram torturadas e estupradas pelo sequestrador. O crime veio à tona em maio e ficou conhecido mundialmente como "Sequestros de Cleveland". Amanda Berry engravidou do criminoso e deu a luz a uma menina, que hoje tem seis anos. A criança também era mantida como prisioneira no cativeiro. Castro foi condenado à prisão perpétua, pelos crimes de sequestro, estupro e tortura das mulheres. Em setembro, o seu corpo foi encontrado na cela da prisão em Ohio, onde cumpria a sua pena. 

Um recém-nascido foi encontrado preso em um cano de esgoto ligado à uma privada de banheiro por bombeiros na China, em maio. Os agentes chegaram à criança através de um chamado de moradores de um prédio da cidade de Jinhua, Província chinesa de Zheijang, que ouviram o choro do bebê. A criança foi rejeitada pela mãe, que não foi indiciada, mas renunciou a guarda do filho.

O jovem o soldado do Segundo Batalhão do Regimento Real de Fuzileiros de Lonfres, Lee Rigbyde, de 25 anos foi esfaqueado em uma movimentada rua do bairro londrino de Woolwich, no dia 22 de maio. Os assassinos foram identificados como Michael Adebolajo e Michael Adebowale. Rigbyde deixou um filho de dois anos.

Em setembro, 69 pessoas morreram no ataque contra um shopping em Nairóbi, no Quênia. Quem assumiu a autoria do ataque foram homens da milícia islâmica Al Shabab, vinculada à Al Qaeda. A operação policial para regatar as vítimas do ataque durou quatro dias, com momento de extrema tensão. 

No Brasil:

Seis homens invadiram a casa de uma família de bolivianos e exigiram dinheiro. O casal entregou R$ 3,5 mil em espécie para os marginais, mas eles desconfiaram que havia mais dinheiro e arrumaram um jeito de pressionar. Eles apontaram uma arma para a cabeça do filho do casal, um menino de cinco anos, que chorava e implorava para não ser morto. Os bandidos mandaram a criança "calar a boca", senão 'cortariam a sua cabeça'. Com a negativa dos pais, os assaltantes atiraram na cabeça da criança. O crime aconteceu em junho, em São Mateus, Zona leste de São Paulo. O caso foi considerado um dos mais violentos do ano no Brasil e causou comoção nacional. Em agosto, os assassinos foram capturados e presos. No mesmo mês eles foram mortos na prisão. 

Polêmica e espanto. No dia cinco de agosto, o caso da chacina da família Pesseghini desafiou as autoridades policiais sobre a autoria dos cinco assassinatos. Cinco pessoas da mesma família foram encontradas mortas dentro da sua residência, em Brasilândia, Zona Norte de São Paulo. Entre as vítimas estavam o sargento da Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota), Luis Marcelo Pesseghini, de 40 anos, e a sua mulher, a também policial militar Andreia Regina Bovo Pesseghini, de 35 anos, da 1.ª Companhia do 18.º Batalhão da Polícia Militar. Além do filho do casal, Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini, 13 anos, da mãe de Andreia, Benedita Oliveira Bovo, 65, e da irmã de Benedita, Bernardete Oliveira da Silva, 55. 

As investigações policiais concluiram que o crime aconteceu no dia 4, mas os corpos só foram encontrados no dia 5, após os colegas de corporação de Andreia estranharem o seu atraso no plantão e avisarem ao comando da PM. Segundo a polícia, o crime teria sido cometido pelo filho do casal, Marcelo Pesseghini, O menor teria ido à escola no dia 5, após matar a família e, quando retornou à residência, teria disparado contra a própria cabeça. O caso foi comentado intensamente em todo país e dividiu a opinião da população e das autoridades policiais quanto os motivos que teriam levado Marcelo a matar os familiares e se realmente teria sido ele o autor dos disparos.   

Em setembro, outro crime envolvendo membros de uma mesma família ganhou destaque nos noticiários. Uma mulher de 53 anos foi acusada de matar as duas filhas, de 13 e 14 anos. O crime aconteceu na casa onde moravam, na Zona Oeste de São Paulo. Uma das jovens teria morrido asfixiada e, a outra, enforcada. Até o cachorro foi encontrado morto com um saco plástico amarrado na cabeça. A mulher confessou o crime e está presa no Presídio de Tremembé, no interior paulista. 

Caso Joaquim. O menino de três anos desapareceu no dia cinco de novembro, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, e seu corpo foi encontrado uma semana depois, em um rio na cidade de Barretos. Os pais da criança, Natália Ponte e Arthur Paes, foram apontados pelas investigações como os principais suspeitos do crime, mas eles negaram a acusação. Os investigadores da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Ribeirão Preto entregaram à Justiça no dia 27 de dezembro, o relatório final do caso, que indiciou o padrasto do menino, Paulo Henrique Martins de Castro, por homicídio. A psicóloga Natália Ponte, não foi indiciada. 

Em São Paulo, um jovem de 25 anos foi espancado até a morte no dia 24 de novembro. Segundo a polícia, a rapaz se envolveu em uma discussão dentro de uma boate na Zona Leste paulista. Ele teria sido agredido por seguranças da boate e após por dezenas de outros jovens. A vítima chegou sem vida ao hospital. O caso segue em investigação. 

O ciclista David Santos Sousa, de 21 anos, estava pedalando na madrugada de 10 de março quando foi atropelado por um carro na Avenida Paulista. Ele teve o braço amputado e o motorista não parou para oferecer socorro e ainda levou o membro arrancado preso ao para-brisa do veículo. O atropelador Alex Siwek, também de 21 anos, jogou o braço em um córrego. O crime ficou conhecido pela frieza do condutor. Quatro meses após o acidente, David fazia os primeiros movimentos com uma prótese mecânica. Para utilizar com sucesso o braço mecânico, que foi avaliado em R$ 320 mil, David passou uma temporada na clínica Conforpés, no interior do Estado.

No Rio de Janeiro, três marginais estupraram uma norte-americana de 21 anos, dentro de uma van. O crime aconteceu no dia 30 de março. Segundo o namorado da vítima, que presenciou o crime, os homens riam e faziam comentários sarcásticos enquanto abusavam da jovem. O francês de 22 anos prestou depoimento na 32ª Vara Criminal da cidade e narrou detalhes do episódio. "Eles riam sarcasticamente o tempo todo, principalmente quando faziam sexo e batiam nela. Quero deixar o Brasil o mais rápido possível, não quero mais voltar [ao País]", contou o namorado da mulher agredida. Ele disse ainda que a namorada foi estuprada pelo menos quatro vezes, e em alguns momentos foi abusada simultaneamente por dois criminosos. Segundo as investigações, Jonathan Froudakis de Souza, de 19 anos, cometeu quatro estupros, enquanto Wallace Souza Silva e Carlos Armando Costa dos Santos, ambos de 21, estupraram a vítima duas vezes. 

No dia 25 de abril, um grupo de três assaltantes ateou fogo e matou a dentista Cinthya Magaly Moutinho de Souza, de 47 anos, em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo. O crime aconteceu no consultório da dentista, quando ela se negou a entregar dinheiro aos criminosos.

Tags: amarildo, chocou, crimes, Mundo, PMs, rocinha

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