Jornal do Brasil

Quinta-feira, 17 de Abril de 2014

Internacional

El País: Kirchner não será candidata a qualquer cargo na eleição de 2015

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O jornal espanhol El País publica nesta última sexta-feira do ano (27/12) que, a partir de 10 de dezembro de 2015, a presidente da Argentina, Cristina Fernández Kirchner, não vai ocupar o cargo eletivo pela primeira vez desde 1989. Segundo o El País, Kirchner disse nesta quinta (26), em uma mensagem que se espalhou pela agência de notícias estatal Telam, que nas eleições gerais de 2015 não disputará para qualquer cargo. Com isso, acabou eliminando as especulações do deputado Carlos Kunkel, que havia dito que Kirchner viria como candidata dentro de dois anos.

A reportagem destaca que o discurso de Kunkel era carregado de rumores de todos os tipos. A possibilidade de que a chefe de Estado poderia buscar um terceiro mandato tinha sido quase descartado após as eleições legislativas de outubro. A Constituição da Argentina proíbe dois anos consecutivos e Kirchner foi reeleita em 2007 e 2011. Para alterar a Carta Magna ela teria que conseguir o apoio de dois terços dos membros da Câmara dos Deputados e do Senado e, depois, uma vitória em uma eleição posterior. Mas Kirchner e seus aliados têm agora 132 membros, em comparação com o 172 necessários, com 38 senadores, ou seja, 10 a menos do que o necessário. Para uma reforma constitucional, ela tem que convencer parte da oposição dividida, uma tarefa nada fácil.

O El País publica ainda que, caso não seja candidata a presidente, Kirchner ainda poderá ser em 2015 vice-governadora de sua província natal, Buenos Aires. As especulações foram ditas por Kunkel, que era um companheiro de militância da juventude peronista argentina, na época do presidente Nestor Kirchner (2003-2007), amigo de Kirchener enquanto estudava Direito em La Plata, capital de Buenos Aires. Mas quase que imediatamente, a chefe de Estado descartou qualquer possibilidade de continuar presidente ou qualquer outro cargo. 

"Não há nenhuma possibilidade de Cristina concorrer a qualquer cargo eletivo em 2015", disse a presidente, que voltou a seu posto no final de novembro, após afastamento de mês e meio em função de cirurgia para retirada de um coágulo no cérebro. Diferentemente do ritmo intenso de trabalho antes da sua ausência, com eventos públicos permanentes, agora Kirchener quase não aparece. Os médicos a aconselharam a uma vida com menos stress. A presidente era legisladora no Parlamento de Santa Cruz, entre 1989 e 1995.

Ao descartar definitivamente a sua candidatura, a peronista Kirchner deve encontrar outro candidato a presidente. O vice Kunkel disse que o candidato será definido nas primárias de voto obrigatório em agosto de 2015. O jornal cita o nome de Jorge Capitanich, que assumiu o cargo há pouco mais de um mês atrás, e o governador de Buenos Aires, Daniel Scioli. 

A oposição peronista, o deputado Sergio Massa, aparece como presidenciável que ganhou as eleições em Buenos Aires, em outubro passado, mas enfrenta o desafio de construir uma força política nacional. Fora do peronismo, a União Cívica Radical (UCR), a Frente Ampla Progressista (FAP) e a Coalizão Cívica (CC) estão alinhavando uma parceria que se estende do centro à centro-esquerda.

Tags: Argentina, especulações, massa, peronista, presidente

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