Jornal do Brasil

Sábado, 19 de Abril de 2014

Internacional

Crescimento social brasileiro não reduz a criminalidade, diz El País

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Apesar do crescimento econômico e a diminuição do número de desempregados, os índices de violência continuam em alta no Brasil. O assunto é avaliado nesta terça-feira (3/12) pelo jornal espanhol El País. Segundo a reportagem, os estudiosos estão mudando o discurso de que a crise na segurança pública está relacionada com os indicadores sócio-econômicos. 

O jornal avalia que de 2007 até agora, os principais indicadores que medem a desigualdade social e o crescimento econômico têm melhorado, porém a redução na taxa de homicídios por 100.000 habitantes é atualmente de 24,3. No México, essa taxa é de 23,7, na Venezuela ela é mais alta, 45,1, e em Honduras chega a 91,6, a maior do mundo. Quatro dos cinco estados mais violentos do Brasil estão localizados no Nordeste, uma das regiões turísticas. Alagoas, com 64,47 assassinatos por 100 mil habitantes, e Ceará, com 40,6 estão no topo desse ranking. Na seqüência, Pará (37,9), Paraíba (43,1) e Bahia (38,5). 

Paralelamente, no plano econômico o PIB saltou de 14.183 reais em 2007 para 22.402 em 2012. Nesse período, o desemprego caiu de 9,3% para 5,5%. Mesmo assim, os índices de homicídio e estupro não declinou. Pelo contrário, nos últimos dois anos, o país viu aumentos contínuos nos esses indicadores. Estudiosos em segurança pública e sociólogos brasileiros atribuem o fenômeno a uma conjunção que implica as atividades do tráfico de drogas e da falta de controle do sistema prisional, que para alguns especialistas pode até estimular o crime.

A reportagem do El País citou uma investigação do Ministério Público de São Paulo, que apontou para uma ação orquestrada de 175 criminosos, que agiam em contato com os presos para cometer crimes como o tráfico de armas e de drogas, roubos e homicídios. "Mesmo assim, o crime organizado não é o único responsável pelo aumento de crimes", diz o texto. Na análise feita pelo período espanhol e com base nos depoimentos dos especialistas entrevistados, um fator que poderia influenciar a redução da criminalidade seria o aumento do investimento em segurança. O texto comenta que em 2012, seis das 27 unidades federais gastaram menos em segurança pública do que no ano anterior.

O jornal comenta ainda uma pesquisa feita em São Paulo, constatando que o departamento estadual responsável pelas investigações criminais não conseguiu solucionar nem 30% dos casos registrados. Outro fator abordado foi a mudança de perfil da população com relação a sua confiança nas instituições policiais e de segurança. Em uma pesquisa recente os dados mostram que 70,1% da população não acredita na polícia. "Para mudar esse quadro, os especialistas sugerem pelo menos duas mudanças: uma revisão das leis penais e maior integração entre as polícias civil e militar", diz o texto.

Tags: desemprego, desigualdades, econômico, homícidios, Plano, segurança

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