Jornal do Brasil

Sábado, 18 de Maio de 2013

Internacional

El País: reeleições indefinidas e mordaça na imprensa marcam América Latina

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O 'caudilhismo plebiscitário' do Equador, com a reeleição de Rafael Correa nas eleições do último domingo, foi destaque do jornal El País. Sem contar as inúmeras reeleições, há ligações relevantes com os regimes de Cuba, Bolívia e Venezuela, onde a liberdade de imprensa é tolhida há décadas.

O El País ressalta que Correa tem a opinião pública nas mãos devido, principalmente, à força do petróleo. Nos últimos seis anos, a receita do Estado foi dez vezes maior do que nos dez anos anteriores. Mas, na Venezuela, Hugo Chávez teve idêntica subvenção da natureza e a economia venezuelana encontra-se em estado crítico.

Segundo o diário, Rafael Correa interrompe quando quer os programas de televisão, quando é criticado; ataca a imprensa e limita ou exclui publicidade estatal da mídia. Tal como faz a argentina Cristina Kirchner. O reeleito presidente do Equador também chama de corruptos os opositores, como os demais tiranos do continente.

O boliviano Evo Morales abomina a Europa e os Estados Unidos; o venezuelano Hugo Chávez flerta com Teerã e Brasília; e Rafael Correa, que parecia ter aderido ao reformismo ocidental, ainda não deu a última palavra, mas a tentação de suceder a Chávez como líder dos radicais populistas é muito grande. Mais que o próprio Equador, diz o El País.

Na sua primeira entrevista como presidente reeleito, Correa deixou bem claro os seus propósitos: lutar contra a imprensa corrupta, manipuladora e mercantilista. Ele disse que esse tipo de imprensa foi a outra grande derrotada das eleições. "Temos que alcançar uma sociedade onde mandem os cidadãos e não quem tem dinheiro para comprar a imprensa. Minha relação com essa mídia não depende de uma vitória ou de uma derrota. São coisas muito mais profundas", disse.

O objetivo do governo nos próximos meses será aprovar uma lei de comunicação, como tentou Cristina Kirchner na Argentina, repudiada por todos os setores da sociedade.

Não foi à toa que a primeira comemoração após a vitória de Correa partiu da Venezuela, onde Hugo Chávez manifestou toda a sua alegria pela reeleição do amigo e colega.

Correa tomará posse no dia 24 de maio. A maioria dos economistas críticos ao governo reclamam agora de medidas profundas que tirem o país de sua dependência do petróleo. Tempo para isso não falta ao presidente. Quando concluir o seu mandato, em 2017, Correa terá permanecido dez anos no poder, menos do que Fidel e Chávez. E ele já prometeu que após essa data voltará para casa. Será???

Os antecedentes não demonstram. Correa conseguiu reformar a Constituição em 2008, permitindo a reeleição. Agora, alguns críticos apostam que ele fará nova mudança na Carta Magna para garantir a reeleição indefinida, como fez Chávez, seu líder maior.

Tags: crítico, Espanha, Jornal, leis, mordaça

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