Jornal do Brasil

Quinta-feira, 23 de Maio de 2013

Internacional

Crise na monarquia espanhola: e-mails comprometem ainda mais rei Juan Carlos

Escândalo na Monarquia Espanhola ganha novos capítulos

Jornal do Brasil

Iñaki Urdangarin, genro do rei da Espanha, Juan Carlos, alardeou com seus sócios que o monarca apoiou ativamente seus negócios em Valência quando já havia abandonado o Instituto Nóos. Essa é uma das revelações dos 197 e-mails que o ex-sócio do Duque de Palma, Diego Torres, entregou no sábado ao juizado, e aos quais o El País teve acesso.

"Vamos ver se nos falamos amanhã porque é importante. SM (supostamente Sua Majestade) comentou comigo sobre um possível patrocinador e, ao ir embora no domingo, quero deixá-lo bem atado em suas mãos", escreve Urdangarin a seu então sócio no dia Da Hispanidade de 2007, de acordo com El Pais.

Situação do rei Juan Carlos, da Espanha, se complica ainda  mais com e-mails
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O jornal afirma que, naquela época, Urdangarin impulsionou o projeto Ayre: o objetivo era conseguir a participação de uma segunda equipe espanhola na 33ª edição da Copa da América.

De acordo com El Pais, há quase um ano, na primeira remessa de e-mails comprometedores para a imagem da monarquia, Diego Torres já revelou uma suposta mediação do rei - através de uma reunião com seu amigo, o marinheiro Pedro Perello, e uma de negociações com o ex-presidente da comunidade Valenciana, o popular Francisco Camps - a favor de seu filho.

Confira trechos da reportagem do El Pais:

O príncipe no organograma

Do projeto Ayre se chegou a desenhar um organograma que tinha em sua ponta o príncipe Felipe como presidente de Honra; Urdangarin iria ser presidente do conselho social, e sua esposa, a princesa Cristina de Bourbon, filha mais nova do rei Juan Carlos, como assessora esportiva. Ainda que a iniciativa não tenha prosperado, os novos documentos dão força à tese de que a Casa do Rei deu seu apoio. "Sobrevender a participação da Família Real quando você já sabe quem está nos ajudando, como você está fazendo, não creio que seja o melhor caminho", disse o filho do rei a Perelló, a quem lhe pede para manter "discrição". SM voltou a comentar comigo sobre a vontade de que o processo siga"

Mensagens da Casa do Rei

Os e-mails creditam a supervisão por parte do assessor das princesas e à gestão diária do Instituto Nóos, a entidade sem fins lucrativos com que Urdangarin e Torres desviaram 6 milhões de euros de dinheiro público dos governos das Baleares e de Valencia.

Carlos García Revenga, que era membro da direção do Nóos e que está sendo acusado, e outros supostos empregados que utilizaram um e-mail da Casa do Rei - sempre segundo os documentos - contaram a Urdangarin, por exemplo, sobre os carros que deveria contratar para o Instituto, e até sobre modelos de impressoras. " A HP 7550 que a Sua Majestade, a rainha, tem, possui uma qualidade de imagem muito alta", lê-se em um dos e-mails.

A relação entre Gárcia Revenga e 'Txikitín'

Gárcia Revenga aparece nos e-mails como um "faz-tudo" nos assuntos de Urdgangarin, de quem é depositário de grande confiança. Em 2003, o duque o informara de seus novos projetos profissionais - "é um trabalho muito bem pago e agradável para minha vida profissional", disse - e lhe enviara uma foto de mulheres nuas montadas em uma bicicleta. O título do e-mail é "Txikitín". O secretário das princesas envia a Urdangarin uma carta traduzida do Comitê Olímpico Internacional( COI), marca voos para São Paulo e o indica como responder a alguns convites de eventos...

O duque, que havia sido aluno na Esade, de Diego Torres - defendido pelo advogado Manuel González Peeters- recebe em um e-mail de 2003 uma proposta de uma escola de negócios: "Que Urdangarin como embaixador nos presenteará na Casa Real para expor essas ideias e discutir de forma concreta que poderíamos utilizar". O duque reenviou o e-mail a García Revenga com uma indicação: "Veja com a mente aberta".

 Sem dados da Princesa

Em sua declaração de sábado, Torres implicou a princesa Cristina - que também era membro da diretoria - na tomada de decisões da Nóos. Os e-mails não mostram, por enquanto, novos dados a respeito. É ratificado que o papel de Urdangarín no Nóos era meramente representativo: o mesmo firmava os contratos e a demissão no Seguro Social.

José Blanco desativa o tema

O ex-ministro do Desenvolvimento e deputado do PSOE José Blanco aparece envolvido nos e-mails de Torres. Antonio Ballabriga, ex-diretor do Nóos e ocupante de alto cargo do Banco Bilbao Vizcaya Argentaria(BBVA), informa em um e-mail a Urdangarin e a Torres que Blanco falou com o socialista Juan Ignasi Pla, então líder da oposição em Valencia, para deixar o assunto fora da pauta das perguntas parlamentares.

Em abril de 2006, haviam começado a questionar os convênios milionários para organizar o Summit de Valência. Blanco, segundo Ballariga, se encarregou de silenciar o assunto. "Estão tratando de fazer uma comunicação pessoal com a deputada que solicitou essa informação".

Novos projetos

Ballabriga levanta ao duque a possibilidade de participar na organização dos falidos Jogos Europeus. Como já havia abandonado o negócio do Instituto Nóos, lhe propõe figurar como porta-voz de uma "plataforma de apoio" ao evento para evitar que se vincule à Nóos. Eles tiveram que renunciar formalmente um mês antes por pressões vindas da Casa do Rei. Ballabriga lhe indica a necessidade de se reunir com o próprio Blanco e com o ex-secretário de Estado para o esporte, Jaime Lissavettzky, para "explicar os novos projetos fora do Nóos."

O assessor jurídico da Casa do Rei, José Manuel Romero, reiterou ontem que só indicou a Urdangarin, que devia se limitar a formar parte do conselho administrativo da FDCIS, a Fundação que sucedeu a Nóos.

Tags: ayre, El, esade, nóos, país, revenga, urdangarin

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