Jornal do Brasil

Quarta-feira, 19 de Junho de 2013

Internacional

Lembranças do naufrágio do Costa Concordia emocionam sobrevivente

Tragédia que deixou 32 mortos completa um ano

Agência ANSA

O italiano Umberto Trotti, um dos sobreviventes do naufrágio do Costa Concordia, fez um depoimento emocionado às vésperas do aniversário de um ano do acidente, lembrando da menina de cinco anos que foi achada morta semanas após a tragédia.    

"Nunca tivemos a força para telefonar à mãe de Dayana, só tivemos contato com seu advogado. Ficamos 15 minutos com a pequena, mas não conseguimos convencê-la a entrar conosco na lancha de salvamento. Quem me dera poder voltar atrás e salvá-la. Já se passou um ano, mas parece que foi ontem. Essa tragédia marcou nossas vidas e até que aquele navio permanecer na água será impossível esquecer", relatou o emocionado Trotti, que escapou do naufrágio com seus dois filhos e sua esposa.    

Trotti informou que estará presente com toda a família na ilha de Giglio para participar das celebrações em memória das vítimas. "Nós também recebemos a carta da Costa Cruzeiros, mas foi o rapaz que me salvou, um cozinheiro de Como que hoje é como um irmão para mim, que nos convenceu a ir. Será difícil, mas faço questão de agradecer pessoalmente às senhoras que naquela noite nos ajudaram", completou.    

Quanto à volta à rotina, Trotti explica que "se fisicamente não tivemos consequências graves, mentalmente tudo mudou. Minha mulher voltou a sofrer de sonambulismo, e eu só reabri meu restaurante dois meses após o naufrágio. Ainda hoje, no meio do jantar, largo tudo só para voltar para casa, ver meus filhos e meu pai. Sempre penso que aquela pode ser a última vez que os verei".

A remoção dos destroços do Costa Concórdia, encalhado há um ano no pequeno porto da ilha toscana de Giglio, ocorrerá o mais tardar em setembro, segundo o chefe da proteção civil italiana, Franco Gabrielli.

“O programa prevê a retirada definitiva do navio em setembro”, disse ele durante uma coletiva de imprensa na ilha de Giglio. Neste domingo (13), o naufrágio, que causou 32 mortes, completa um ano.

Trata-se de uma operação “de caráter excepcional que não tem precedente” e que deve ter em conta “as consequências para o ambiente e para os habitantes”, destacou Gabrielli.

As operações de retirada do navio foram adiadas várias vezes. Segundo o chefe da proteção civil italiana, a escolha da empresa privada encarregada do salvamento foi feita em função da exigência do “respeito pelo ambiente e pelas atividades econômicas da ilha”, sobretudo o turismo. É uma “operação particularmente cara”, acrescentou.

Tags: afundamento, aniversário, itália, Navio, Vítimas

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