Jornal do Brasil

Domingo, 19 de Novembro de 2017

Internacional - Wikileaks

Leitores da 'Time' elegem o criador do WikiLeaks como a pessoa do ano

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Após a revista 'Time' escolher o criador da rede social Facebook, Mark Zuckerberg o 'Homem do ano', os leitores da publicação escolheram pela internet o fundador do site WikiLeaks, Julian Assange como a pessoa mais importante de 2010. Eleito com mais de 382 mil votos, o dono do polêmico endereço na internet superou o premiê turco Recep Tayyip Erdogan, que ficou em segundo.

Divulgador de vários documentos diplomáticos e governamentais, Assange ultrapassou na votação, nomes como o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a cantora Lady Gaga e os 33 operários do Chile, que ficaram presos por 70 dias em uma mina no deserto. 

Atualmente o criador do WikiLeaks está preso em Londres, Inglaterra e é acusado de assédio sexual e estupro, mas autoridades afirmam que sua prisão não é ligada aos documentos vazados.

Criador do WikiLeaks recebeu mais de 380 mil votos. Crédito: AFP
Criador do WikiLeaks recebeu mais de 380 mil votos. Crédito: AFP

Prisão

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, foi preso na terça-feira (07/12) no Reino Unido por agentes da Polícia Metropolitana de Londres, a Scotland Yard, após se apresentar em uma delegacia da capital britânica. A detenção tem base em um mandado internacional de prisão emitido pela Suécia. Ele deve prestar depoimento no tribunal de primeira instância de Westminster ainda hoje.

Em um comunicado, a Scotland Yard informou que Assange foi detido por volta das 9h30 (horário local, 7h30 de Brasília). Ontem ele havia marcado um horário para se apresentar em uma delegacia. Promotores suecos emitiram um mandado de prisão para o australiano de 39 anos, que é procurado na Suécia sob suspeita de cometer crimes sexuais, acusação que ele nega.

"Agentes da unidade de extradições da polícia metropolitana prenderam Julian Assange em nome das autoridades suecas por suspeita de estupro", declarou a polícia. A polícia acrescentou que Assange recebeu uma acusação de coerção ilegal, duas acusações de assédio sexual e uma de estupro, todas elas supostamente cometidas em 20 de agosto.

Ontem o advogado britânico de Assange havia declarado que estava organizando um encontro entre seu cliente a polícia. "No fim da tarde recebi um telefonema da polícia para dizer que receberam o pedido de extradição da Suécia", declarou Mark Stephens. "Estamos tomando providências para nos reunirmos com a polícia voluntariamente a fim de facilitar o interrogatório de que precisam", afirmou, na oportunidade.

Um porta-voz do tribunal de Westminster disse que Assange deve prestar depoimento por volta das 14h (12h de Brasília), a menos que seja concedida uma permissão especial para que ele seja ouvido mais tarde. Ontem à noite, outra advogada de Assange, Jennifer Robinson, afirmou que seu cliente não havia sido informado sobre todas as acusações que enfrenta.

Segundo o NYT, as acusações são baseadas em encontros sexuais com duas mulheres. As relações, que começaram consentidas pelas envolvidas, acabaram não consentidas quando Assenge não quis mais usar caminsinha. A Suécia expediu o primeiro mandado de prisão para Assange em 18 de novembro, mas a ação foi invalidada por um erro processual. Um novo mandado foi emitido em 2 de dezembro.

Ainda na segunda-feira, o banco suíço PostFinance congelou as contas de Assange. O site diz que a medida bloqueia 31 mil euros. Em comunicado, o WikiLeaks afirmou que Assange perdeu 100 mil euros em bens em uma semana.

"Hora da verdade"

Stephens assinalou que "é hora" de se chegar "à verdade", e que seu cliente quer "limpar seu nome". "É bastante estranho, porque o promotor sueco abandonou todo o caso contra ele em setembro (...) e algumas semanas mais tarde - após o discurso de um político -, um novo promotor, não em Estocolmo, onde estavam Julian e essas mulheres, mas em Gotemburgo, começou um novo caso que resultou nestas ordens", disse o advogado em entrevista à BBC.

Stephens já tinha indicado que seu cliente lutará contra sua possível extradição à Suécia, já que teme que, a partir de lá, possa ser entregue aos Estados Unidos, onde alguns políticos chegaram a pedir sua execução.

Vazamentos

Nos últimos dias, o WikiLeaks tem publicado centenas de telegramas diplomáticos, provocando a ira do governo dos Estados Unidos. Na segunda-feira, o WikiLeaks divulgou uma lista de instalações ao redor do mundo que os Estados Unidos classificam como vitais para a sua segurança nacional. A lista inclui oleodutos e centros de comunicação e transporte.

Tags: anônimos, assange, time, wikileaks

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