Chile: Piñera sobrevive à primeira semana
Jornal do Brasil
SANTIAGO - O presidente do Chile, Sebastián Piñera, que, em uma semana no poder, herdou um país numa situação caótica após um terremoto seguido de tsunami, vários abalos secundários e um apagão generalizado, confirmou a imagem de homem de ação que propalou durante a campanha. Pelo menos é o que pensa a maioria dos chilenos entrevistados durante uma pesquisa de opinião patrocinada pelo jornal El Mercúrio. Segundo a enquete, após uma semana no cargo, o novo mandatário sustenta uma aprovação de 61,7%.
Piñera teve uma semana complexa e intensa e respondeu bem avaliou o analista político Patricio Navia. Cometeu erros, mas, num contexto de terremotos e apagões, sobreviveu à primeira semana bastante bem.
A era Piñera começou no dia 11 de março, numa solenidade de posse que será para sempre lembrada, já que se realizou em meio a um alerta de tsunami, após fortes réplicas que sacudiram o Congresso de Valparaíso poucos minutos antes da cerimônia.
No mesmo dia, o presidente teve de cancelar várias de suas atividades protocolares incluindo um almoço com presidentes convidados de outras nações e partiu de helicóptero às cidades de Rancagua e Constitución para avaliar medidas de reconstrução.
Piñera quer se mostrar um presidente que mantém a situação sob controle explica Navia. A imagem é consistente com o que ele foi em toda a sua carreira. Não está inventando um personagem novo.
Após assumir o cargo, Piñera percorreu as áreas devastadas junto com alguns de seus ministros, todos vestidos com casacos vermelhos, imagens que, segundo o analista político Guillermo Holzmann, deram sentido de equipe e de urgência ao seu governo.
Já o advogado Hermógenes Pérez de Arce acredita que o excessivo protagonismo midiático do presidente e o uso de artifícios publicitários , como os casacos vermelhos, trouxeram lembranças negativas do regime de Chávez na Venezuela.
Versatilidade
No Chile, Piñera é conhecido como um homem ativo que, além de entender a linguagem dos negócios e da política, se atreve a jogar futebol e tênis em público e a percorrer seus campos do sul a cavalo.
Há exatamente uma semana, um extenso apagão que afetou 90% do Chile, incluindo Santiago, colocou à prova a ação do novo governo.
Foi uma prova de fogo complexa, mas o presidente resistiu disse Navia. Agora, os governos não são corridas de 100 metros, são maratonas. Mas, no início da corrida, Piñera conseguiu se sair bem nos momentos difíceis. Isso é bom sinal.
Para o advogado e analista político Ricardo Israel, seguem pendentes questões de conflito de interesses de alguns de seus ministros, além da situação de Piñera com a empresa aérea LAN.
Mas esses assuntos passaram para segundo plano ante a tarefa prodigiosa de reconstruir o país reconhece.
