Rifa de óvulo atrai britânicas inférteis
Jornal do Brasil
LONDRES - Quando o objetivo é ampliar seu mercado, o Instituto de Genética e Fertilização In Vitro da Virgínia (GIVF, na sigla em inglês), uma das maiores clínica de fertilização artificial dos EUA, não mede esforços. Visando atrair mulheres britânicas inférteis a buscarem óvulos de doadoras nos EUA, especialistas em fertilidade da clínica patrocinaram em Londres, na última quarta-feira , um seminário que reuniu mais de uma centena de mulheres interessadas. O motivo da casa cheia: a GIVF, que acaba de formar parceria com a clínica londrina Bridge Center, havia prometido sortear uma felizarda entre as participantes do seminário para presenteá-la com um óvulo de uma doadora americana.
Além de receber o tratamento gratuitamente ele normalmente custa cerca de US$ 23 mil a ganhadora poderá escolher quem será sua doadora, a partir de um banco de dados com informações como origem racial, histórico médico, formação escolar e aspectos físicos. Em seguida, a britânica, cuja identidade não foi revelada, terá o óvulo implantado e fertilizado na sede da clínica, na Virgínia.
Se elas podem ganhar um concurso que vai permitir-lhes construir suas famílias, e um médico que pode ajudá-los a fazer isso, então aplaudimos a iniciativa elogiou Sean Tipton, porta-voz da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, em entrevista ao Washington Post.
Já a organização londrina Comentário sobre Ética Reprodutiva (Core, na sigla em inglês), criticou a iniciativa de comercialização de material humano, o que é proibido pela lei britânica.
A capacidade da indústria de fertilização in vitro de banalizar a vida humana atinge um novo patamar com essa iniciativa deplorável. Imagine se um dia uma criança descobrir que veio a existir graças a uma descarada estratégia de marketing dispara Josephine Quintavalle, diretora do instituto.
Através da parceria com a clínica americana, a Bridge Centre pretende contornar as rígidas leis britânicas, que proíbem a remuneração a doadores de óvulos para a reprodução assistida. Visando ampliar a oferta de óvulos disponíveis à sua clientela britânica, a clínica londrina passará a enviar mulheres inférteis para receberem o tratamento nos EUA, onde não faltam óvulos disponíveis. Doadoras entre 19 e 32 anos chegam a receber US$ 10 mil por doação.
Josephine demonstrou preocupação com as mulheres que doam seus óvulos por dinheiro, salientando que o processo para doá-los requer um tratamento arriscado e doloroso, com injeções de hormônios pesados para ampliar a produção de óvulos durante o ciclo menstrual. As consequências mais sérias, explicou Josephine, incluem morte, perda parcial ou total da fertilidade e problemas psicológicos.
A clínica de fertilização in vitro envolvida nessa iniciativa está alimentando a vulnerabilidade colossal de mulheres ricas e inférteis, ao custo do bem-estar de jovens mulheres pobres e igualmente vulneráveis criticou.
