EUA e Rússia divergem sobre Irã
Jornal do Brasil
MOSCOU - Rússia e Estados Unidos mostraram quinta-feira ainda haver diferenças de posicionamento sobre eventuais sanções ao Irã por seu programa nuclear e, ao mesmo tempo, anunciaram para breve um novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start), no primeiro dia de visita da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, a Moscou.
Ainda restam oportunidades para a diplomacia declarou o ministro de Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, ao se referir à vontade americana de que a ONU adote novas sanções contra o Irã.
As declarações de Lavrov são um revés para a diplomacia americana, que pensava que faltava convencer apenas a China para que o Conselho de Segurança da ONU adotasse sanções contra o Irã.
Em mais uma demonstração da proximidade entre Irã e Rússia, minutos antes da entrevista concedida por Hillary e Lavrov, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, anunciava que o primeiro reator da central nuclear de Bushehr, construída por uma empresa russa no Irã, deverá entrar em operação ainda este ano.
Ao lado de Lavrov, Hillary, com semblante sério, declarou:
Seguimos, como no passado, comprometidos com uma solução diplomática, mas é necessário uma solução. Consideramos prematuro, por enquanto, a continuação de qualquer projeto, pois queremos enviar uma mensagem clara aos iranianos
Bombas
Já sobre a questão do desarmamento nuclear, Hillary e Lavrov deram quase por certo um novo acordo.
Estamos fazendo progressos no novo Start, segundo nos avisam os negociadores em Genebra declarou Hillary.
Há alguns meses, negociadores russos e americanos reúnem-se regularmente em Genebra para preparar um documento, base para um novo impulso às relações entre os ex-inimigos da Guerra Fria, desejado pelos presidentes Barack Obama e Dimitri Medvedev.
Quinta-feira, o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu que os dois países assinem um novo acordo o mais rápido possível .
Espero sinceramente que você e o presidente Obama assinem o tratado Start o mais rápido possível disse Ban a Medvedev em uma reunião no Kremlin.
O acordo poderia ser fechado antes de 12 de abril, data prevista para uma conferência sobre a segurança nuclear em Washington, informou quinta-feira o jornal russo Kommersant.
Oficialmente, a visita de dois dias de Hillary tem por finalidade a participação da secretária de Estado americana em uma reunião do Quarteto para o Oriente Médio, cujo resultado poderia ser uma maior pressão sobre Israel, que na semana passada anunciou a construção de 1.600 casas em Jerusalém Oriental, a parte árabe da cidade santa.
