México: Tráfico mata mais de 60 em fim de semana sangrento
Da redação, Jornal do Brasil
CIDADE DO MÉXICO - A violência ligada ao crime organizado matou mais de 60 pessoas no fim de semana no México, 38 só no estado de Guerrero (sul), enquanto em Ciudad Juárez (norte), três pessoas vinculadas ao consulado dos Estados Unidos dois americanos e um mexicano também foram assassinadas, gerando repercussão internacional.
A Casa Branca informou domingo que uma funcionária do consulado de Ciudad Juaréz, e o marido dela, ambos americanos, bem como o marido de outra funcionária da representação diplomática, de nacionalidade mexicana, foram mortos a tiros, aparentemente por pistoleiros ligados a cartéis das drogas.
Segundo um funcionário americano, que pediu anonimato, as vítimas foram mortas em dois ataques separados, enquanto dirigiam em locais diferentes de Ciudad de Juárez depois de terem participado de um evento na tarde de sábado.
Supostos membros de cartéis de drogas atiraram contra funcionários do Consulado Geral de Ciudad de Juárez, que estavam em seus carros particulares afirmou a fonte, destacando que é preciso determinar se eram alvo direto dos ataques.
No momento do ataque, a funcionária americana estava com o marido e a filha pequena. A menina escapou ilesa, mas o casal morreu. No segundo ataque, os assassinos abriram fogo contra o carro do marido de uma funcionária mexicana do consulado. A vítima estava com os dois filhos do casal quando foi atacado. O homem morreu e as crianças foram feridas.
Segundo a Casa Branca, o presidente Barack Obama estava profundamente entristecido e ultrajado pela notícia brutal do assassinato de três pessoas . Os ataques levaram os EUA a autorizarem que seus funcionários consulares no México enviem os familiares de volta ao seu país. Washington também aconselhou os americanos a adiarem viagens a Durango, Coahuila e Chihuahua.
A chancelaria mexicana lamentou o incidente e se comprometeu a trabalhar com determinação para esclarecer as condições em que os fatos ocorreram e levar os responsáveis à Justiça .
Centro da guerra
Situada na fronteira com os EUA, Ciudad de Juárez, com 1,3 milhão de habitantes, é o centro da guerra entre os cartéis mexicanos pelo controle do tráfico de drogas para o país vizinho. No ano passado, mais de 2.600 pessoas foram assassinadas em crimes vinculados ao tráfico.
No sul, no estado de Guerrero, onde atua o poderoso cartel La Família, a onda de violência atingiu principalmente o porto de Acapulco, com pelo menos 27 mortos no fim de semana. Na madrugada de domingo, dois grupos rivais de traficantes trocaram tiros por meia hora na entrada da região turística de Acapulco, lotado de turistas por causa do feriado nacional de segunda-feira. Nove pistoleiros morreram, e também uma jovem de 23 anos, atingida por uma bala perdida.
No sábado, em menos de 12 horas, 17 homens foram assassinados em áreas vizinhas ao balneário. Entre as vítimas estavam seis policiais mortos a tiros e 11 civis, quatro deles decapitados.
Em Ajuchitlán del Progreso, zona norte de Guerrero, um enfrentamento entre supostos pistoleiros do tráfico e militares deixou 11 mortos na manhã de sábado, sendo dez criminosos e um militar.
Outra vítima da onda de violência em Guerrero foi o jornalista Evaristo Solís, assassinado a tiros na sexta-feira em uma estrada que leva à cidade de Chilpancingo, capital do distrito.
Na comunidade de Navolato, no estado de Sinaloa (noroeste), o fim de semana começou com a chacina, na noite de sexta-feira, de oito pessoas que estavam e uma festa, invadida por homens armados de fuzis e que obrigaram os cerca de 30 presentes a deitarem no chão.
No estado de Chihuahua (norte), entre sábado e domingo foram registrados pelo menos uma dúzia de homicídios.
A violência ligada ao tráfico de drogas deixou mais de 15 mil mortos em três anos no México, apesar da mobilização de mais de 50 mil militares em vários pontos do país.
