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Piñera entrega capacetes e cronômetros a ministros

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SANTIAGO - O presidente do Chile, Sebastián Piñera, iniciou formalmente seu governo exigindo pressa no trabalho de reconstrução do país após o terremoto seguido de tsunami do dia 27 de fevereiro, em uma nação ainda ameaçada por fortes abalos.

Essa pressa, que o novo presidente tenta imprimir às tarefas de reconstrução, ficou em evidência durante a primeira reunião de gabinete realizada ainda na madrugada de sexta-feira.

Durante nossa primeira reunião, entreguei simbolicamente a cada ministro um capacete e um cronômetro revelou o presidente. O capacete, porque é preciso reconstruir, e o cronômetro, porque é preciso agir com rapidez.

A tragédia deixou cerca de 800 mortos e desaparecidos, mais de 1,5 milhão de casas destruídas e 2 milhões de desabrigados em várias cidades, nas quais o trabalho de reconstrução será enorme. Segundo uma estimativa feita pelo novo ministro da Fazenda, Felipe Larraín, o terremoto custará aos cofres chilenos entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões.

O Chile ainda está sob o impacto dos três terremotos que sacudiram a zona central do país, minutos antes de Piñera assumir a Presidência, substituindo Michelle Bachelet, na quinta-feira. Na manhã de sexta-feira, uma série de novas réplicas voltaram a deixar os chilenos da zona central, incluindo os moradores de Santiago, em estado de tensão.

Em solidariedade aos desabrigados do terremoto, Piñera participou sexta-feira de uma cerimônia na Praça das Armas de Santiago, que não foi realizada na catedral, e sim ao ar livre.

Pouco antes, Piñera afirmou à imprensa que tomou uma decisão a respeito de dois temas críticos: a destruição de escolas e a falta de atendimento médico para milhares de feridos em Maule e Biobío, as duas regiões mais devastadas pelo terremoto de quase duas semanas atrás.

Piñera disse ter pedido a seus ministros empenho para que, em menos de 45 dias, todas as crianças das zonas afetadas estejam de volta às salas de aula , além de oferecer atendimento especial, nos próximos 30 dias, a todas as pessoas que sofreram ferimentos na catástrofe.

Economia

A tragédia ocorreu em um momento de recuperação econômica, após a crise financeira internacional que afetou gravemente o país em 2009.

Para 2010, analistas calculavam um crescimento entre 4,5% e 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB), mas agora consideram que o terremoto pode custar 3% de seu crescimento no primeiro semestre e 1% durante o ano.

Para analistas, o direitista Piñera terá mesmo que atuar com rapidez para assumir uma liderança efetiva como a da presidente Bachelet, que saiu do poder com popularidade de 84%.

A vantagem que Piñera terá é que, apesar de ter um Senado de maioria opositora, poderá fazer todas as suas propostas passarem sem resistência, devido à preocupação dos governantes com os efeitos do terremoto.