Vaticano diz que não se pode tentar frear a imigração
Agência ANSA
CIDADE DO VATICANO - O presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, cardeal Peter Turkson, disse hoje que a linha que separa as legislações restritivas e o racismo estão cada vez mais "sutis" na Europa.
Em entrevista à imprensa italiana, o religioso ganês explicou que esta proximidade tem a possibilidade de gerar "perigosos desequilíbrios" que poderiam condicionar também o futuro do "sul do mundo".
- Hoje na Europa considera-se a imigração somente como uma ameaça à integridade europeia, ao desenvolvimento, ao bem-estar, à segurança - comentou Turkson. - Com o perigo de que os 'estrangeiros' aprendam a fazer o mesmo - acrescentou.
Segundo ele, a adoção das leis limitantes tem origem na demografia. -Não quero dizer [que seja uma reação] 'paranoica' nem 'histérica', mas certamente preocupada. Por que se a população não aumenta e chegam 'outros' que crescem, pergunta-se: 'o que acontecerá amanhã?' - questionou o cardeal.
- Ao invés de apoiar o desenvolvimento demográfico, se fecha. Mas o ponto é que não se pode fazer uma nação sem população. E a população, se não se faz em laboratório, se faz com os homens. Também com os imigrantes - completou.
De acordo com Turkson, a vinda de estrangeiros não pode ser impedida, e as leis demasiadamente restritivas acabam por dar um mau exemplo aos imigrantes, que "voltam muito frequentemente à pátria com alguma amargura".
- E se depois tornam-se políticos, sobre quais princípios basearão a regulamentação da convivência, do confronto com outras populações? - perguntou o presidente do conselho pontifício.
O cardeal lembrou que a Igreja Católica fala de fraternidade humana, origem comum, único Deus pai, e deplora quem usa a fé como barreira entre os povos. - É um erro que trai a própria essência do Cristianismo e a religião deve fornecer os meios para superar as divisões - continuou.
Existe, no entanto, o risco de uma instrumentalização das crenças a partir da política. - Por séculos, não se discutiu a presença dos muçulmanos na Europa, e agora se faz referendos sobre seus minaretes - lamentou Turkson.
