UE condena manifestação contra embaixada da Itália em Teerã
Agência ANSA
ROMA - A União Europeia "condena fortemente o ataque" ocorrido ontem contra a Embaixada italiana em Teerã, segundo afirmou hoje a Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Catherine Ashton.
Nesta terça-feira, iranianos protestaram diante das sedes diplomáticas de alguns países europeus. A manifestação realizada em frente à representação italiana durou 20 minutos e contou com a presença de cerca de 100 milicianos Basaj, favoráveis ao presidente Mahmoud Ahmadinejad.
Autoridades iranianas negaram que o protesto tenha sido orquestrado pelo governo e afirmaram que os ativistas eram "apenas estudantes universitários". A iniciativa seria uma reação às palavras do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, que em visita a Israel na semana passada condenou o programa nuclear iraniano e pediu à comunidade internacional "fortes sanções" contra Teerã.
O site da rádio e TV estatais do governo de Ahmadinejad divulgou hoje uma carta aberta ao chanceler Franco Frattini na qual ataca o governo italiano e condena as palavras ditas ontem pelo ministro, que atribuiu a ação à milícia.
De acordo com o texto, os Basaj não têm "medo de declarar o que fazem". "A polícia iraniana impediu danos à vossa embaixada e só consentiu que os estudantes entoassem seus slogans, como é justo que aconteça em uma democracia: quereis que impeçamos as manifestações?", questiona a carta.
O Parlamento europeu também se pronunciou sobre o caso pedindo que as autoridades locais garantam "a segurança das missões diplomáticas". Os eurodeputados aprovaram uma resolução na qual exprimem "preocupação pela natureza dos protestos ocorridos em frente às embaixadas da UE em fevereiro, orquestrados por milícias Basaj".
Ao mesmo tempo, o parlamento "condena firmemente o recurso à violência da parte das autoridades iranianas no confronto dos manifestantes que procuram exercitar sua liberdade de expressão e seu direito de reunião pacífica".
Hoje, Frattini voltou a criticar a ação contra a sede diplomática, mas recomendou "não ter preocupações" quanto a novos episódios hostis. "Nossa embaixada permanece aberta. Obviamente insistiremos para que haja uma garantia absoluta de segurança para o pessoal italiano", afirmou.
"O Irã deve compreender que não pode nem mesmo imaginar dividir-nos. A Europa continuará unida", completou o chanceler. "Felizmente, pedimos e obtivemos que houvesse uma só voz da Europa para condenar as violências e as provocações", informou.
